Duas pessoas morrem em desabamento na Comunidade do Pilar, no Recife
Equipes tentam resgatar vítimas na Comunidade do Pilar (KAROL RODRIGUES/DP FOTO)
O muro de um casarão histórico teria caído sobre moradias improvisadas no local. Duas pessoas foram resgatadas com ferimentos
Duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas após parte do paredão de um prédio histórico desabar na Rua do Ocidente, na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, na noite desta segunda-feira (6). Equipes de resgate estão no local.
O desabamento atingiu residências construídas de forma improvisada em um terreno na área central da cidade. As vítimas que morreram no local foram identificadas como Simone e Cláudio, mas não tiveram as idades informadas. A ocorrência mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Polícia Militar, Neoenergia e IML. Por meio de nota, a prefeitura informou que diversas secretarias e órgãos municipais, incluindo SAMU, Defesa Civil, Emlurb, Assistência Social e Guarda Municipal também estiveram no local.
Feridos
Duas pessoas feridas precisaram ser hospitalizadas. As vítimas, levadas para o Hospital da Restauração (HR), no Derby, foram identificadas como Sidiclei, de 24 anos, e a companheira dele, Karolaine, que não teve a idade informada.
A irmã de Sidiclei, Liliana Oliveira de Brito, de 32 anos, relatou que desejava que o irmão deixasse o local por conta do risco. “A gente já vinha dizendo para ele sair dali, que estava em risco de desabar. Quando a gente chegou aqui, meu irmão estava lá dentro também”, disse.
Moradores da comunidade se mobilizaram para ajudar no resgate antes da chegada das equipes de emergência.
De acordo com Liliana, a companheira de Sidicley foi retirada primeiro por populares. Ele permaneceu preso por mais tempo, até a chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros, que concluíram o resgate. Ambos foram levados para o Hospital da Restauração. Sidicley sofreu traumatismo craniano, enquanto a esposa teve fraturas na perna e no braço.
O casal vivia de aluguel no imóvel, onde já residia há bastante tempo. Liliana descreveu a casa como um local precário, especialmente em períodos de chuva. “Por fora dava para ver, mas por dentro era horrível. Quando chovia, ficava pior ainda”, afirmou.
Apesar da gravidade da situação, Liliana acredita que o desfecho poderia ter sido ainda mais trágico. “Foi Deus mesmo, um livramento. Se fosse de madrugada, hoje ele não estava aqui para contar a história”, disse.
Moradora perdeu tudo
A moradora Marilene Maria Santiago, de 66 anos, também morava no local atingido pelo desabamento e contou ao Diario de Pernambuco que perdeu todos os pertences. Ela disse que não tem onde dormir na noite desta segunda-feira.
"Perdi tudo, minha geladeira, minha televisão, minhas roupas, mercadoria, porque sou ambulante. Acabou com tudo. Cada um tinha seu cantinho, seu casebre encostado no muro", conta.
Ela morava sozinha, mas afirma que tinha uma boa relação com os vizinhos e disse que soube do desabamento por outros moradores da comunidade.
O acidente ocorreu em meio as chuvas que atingem o Recife. Apesar disso, as causas do colapso ainda não foram oficialmente confirmadas.
De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, Sérgio Cândido, as casas foram construídas de forma desordenada. “Sobre a estrutura: a princípio, não se trata exatamente de uma vila de casas. É um local onde as pessoas vão se acomodando ao longo do tempo, fazendo ampliações, puxadinhos. Não é possível precisar há quanto tempo isso ocorria nem se essa ocupação foi feita de forma ordenada ou desordenada."
"No momento do trabalho dos bombeiros, chovia bastante. Isso não chegou a impedir a atuação da equipe. Claro que a chuva traz dificuldades, mas faz parte do nosso cotidiano e não foi um fator determinante para atrapalhar as operações”, complementou.
Prefeitura disponibiliza ponto de apoio
Por meio de nota, a Prefeitura do Recife disse que se solidariza com as famílias das vítimas e disponibilizou, de forma preventiva, a Creche-Escola do Pilar como ponto de apoio para os moradores da área.
A gestão destacou que já realizou a entrega de 320 unidades habitacionais (incluindo as 128 do conjunto Papa Francisco, no ano passado), uma creche-escola, uma escola de tempo integral, uma Upinha e uma praça. "Um novo habitacional, com 112 unidades, está em fase de chamamento público, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida."
Adelmo Lucena