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terça-feira, 14 de julho de 2026

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Mulher é atacada com golpes de facão ao voltar de culto religioso em Paudalho

Homem foi encaminhado para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife. (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Mulher foi atacada com golpes de facão na madrugada deste sábado (11), no Engenho Orá, na zona rural de Paudalho, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Testemunhas afirmaram que o agressor dizia "querer beber sangue"


Uma mulher de 51 anos, identificada como Josiane Maria da Silva, foi atacada com golpes de facão na madrugada de sábado (11), enquanto voltava de um culto religioso no Engenho Orá, nas proximidades do antigo lixão, na zona rural de Paudalho, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

De acordo com informações repassadas à Polícia Militar, Josiane e outros fiéis retornavam do culto quando foram surpreendidos por um homem armado com um facão.

Ainda segundo os relatos, o suspeito foi descrito como um homem negro, alto e magro, que dizia "querer beber sangue". Assustadas, as vítimas correram para tentar escapar do ataque.

Durante a fuga, Josiane caiu no chão e foi alcançada pelo agressor, que desferiu vários golpes de facão, atingindo os braços, as pernas e o pescoço da vítima. Após o ataque, o homem fugiu antes da chegada da polícia.

A mulher recebeu os primeiros socorros de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada inicialmente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Conforme a Polícia Militar, ela estava consciente e apresentava quadro clínico estável. Em seguida, foi transferida para o Hospital da Restauração (HR), no Recife. A unidade de saúde não informou o estado de saúde da mulher.

Policiais militares realizaram buscas na região logo após o crime, mas o suspeito não foi localizado.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou, por meio da Delegacia de Paudalho, uma ocorrência de lesão corporal. Segundo a corporação, a vítima foi encontrada em via pública com ferimentos provocados por arma branca e socorrida para uma unidade hospitalar.

"As diligências seguem até o esclarecimento do fato", informou a corporação.

Cadu Silva

ELEIÇÕES 2026

Pesquisa Futura/Apex: Lula e Flávio empatam no 2º turno

Lula e Flávio Fotos: Sebastiao Moreira/EFE e Edilson Dantas/Agência O Globo



Petista tem 46,3% das intenções de voto, contra 46,1% do opositor



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados no segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa da Futura Inteligência em parceria com a Apex, divulgada nesta terça-feira (14). O petista tem 46,3% das intenções de voto, contra 46,1% do opositor.

O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código BR-07294/2026, consultou 2 mil eleitores, por telefone, entre os dias 7 e 11 de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança.

Lula também empata, dentro da margem de erro, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro – nessa simulação, o levantamento mostra 46,1% para o petista e 44,3% para Michelle. Todos os outros nomes da direita perdem no segundo turno, mesmo considerando a margem de erro da pesquisa.

Nas simulações, Lula marca 45,1% contra 38,9% do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Em outro cenário, o petista tem 46%, contra 38,1% do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). No confronto contra Renan Santos, do Missão, Lula marca 46,4%, ante 33,1% do fundador do MBL.

O presidente também lidera numericamente as simulações de primeiro turno. No primeiro cenário testado – com Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Renan, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC), o psiquiatra Augusto Cury (Avante) e o ex-deputado Cabo Daciolo (Mobiliza) -, Lula marca 40,1%, contra 36,8% do filho de Jair Bolsonaro. Eles estão empatados considerando a margem de erro.

Além disso, Lula tem a maior rejeição entre todos os nomes testados (47,6%), empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro (45,4%). Em seguida, aparecem Michelle Bolsonaro (32,2%), Romeu Zema (15,3%), Cabo Daciolo (14,7%), Ronaldo Caiado (13,3%), Renan Santos (12,3%), Joaquim Barbosa (10,5%) e Augusto Cury (9,6%).

Cenário 1:

– Lula: 40,1%
– Flávio Bolsonaro: 36,8%
– Ronaldo Caiado: 5,0%
– Romeu Zema: 3,7%
– Renan Santos: 2,6%
– Joaquim Barbosa: 1,4%
– Augusto Cury: 1,1%
– Cabo Daciolo: 0,7%
– Ninguém/Branco/Nulo: 5,1%
– Não sabe/Não respondeu/Indeciso: 3,6%

Em um segundo cenário – apenas com Lula, Flávio, Caiado, Zema e Renan Santos -, o petista aparece com 37,8% das intenções de voto, também empatado com o senador (35,7%) dentro da margem de erro.

Cenário 2:

– Lula: 37,8%
– Flávio Bolsonaro: 35,7%
– Ronaldo Caiado: 7,9%
– Romeu Zema: 5,0%
– Renan Santos: 3,4%
– Ninguém/Branco/Nulo: 7,3%
– Não sabe/Não respondeu/Indeciso: 2,9%

Na terceira simulação, sem Flávio Bolsonaro, Lula lidera com folga, com 42,1% de intenção de voto, contra 36,5% da soma dos seus oponentes:

Cenário 3:

– Lula: 42,1%
– Ronaldo Caiado: 16,5%
– Romeu Zema: 14,0%
– Renan Santos: 6,0%
– Ninguém/Branco/Nulo: 16,4%
– Não sabe/Não respondeu/Indeciso: 5,0%

No último cenário testado – em que competem apenas Lula, Flávio Bolsonaro, Zema e Renan Santos -, o petista lidera com 42,6%, empatado tecnicamente com o senador do PL (38,6%), quase no limite da margem de erro.

Cenário 4:

– Lula: 42,6%
– Flávio Bolsonaro: 38,6%
– Romeu Zema: 6,2%
– Renan Santos: 3,9%
– Ninguém/Branco/Nulo: 6,3%
– Não sabe/Não respondeu/Indeciso: 2,4%

*AE

NOVA VACINA APROVADA

Gripe: Anvisa aprova nova vacina com 73% de eficácia

(Imagem ilustrativa) Foto: Agência Brasil/Marcello Casal Jr.



Fluprevli combate cepas dos vírus influenza A e B



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina Fluprevli, imunizante trivalente destinado à prevenção da influenza.

A decisão foi publicada nessa segunda-feira (13) e autoriza o uso da vacina para a imunização ativa de pessoas a partir de seis meses de idade contra cepas dos vírus influenza A e B.

De acordo com a Anvisa, os resultados dos estudos clínicos apontaram eficácia de até 73% na prevenção da influenza em adultos e de até 65% em crianças.

As análises que subsidiaram o pedido de registro demonstraram elevadas taxas de soroproteção, quando o organismo apresenta níveis adequados de anticorpos no sangue, e de soroconversão, processo em que o sistema imunológico passa a produzir anticorpos detectáveis após vacinação ou infecção.

DOENÇA

Considerada problema de saúde pública, a influenza é uma infecção viral respiratória. A doença está associada a surtos sazonais e pode provocar complicações que resultam em hospitalizações e mortes.

Os grupos considerados mais vulneráveis às formas graves da influenza são crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, públicos já priorizados nas campanhas de vacinação.

PRÓXIMAS ETAPAS

Para que o produto esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), precisa ser avaliado e recomendado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovado pelo Ministério da Saúde. Ainda não há data definida para esse processo.

*Agência Brasil

LEI MAGNISTSKY PARA ALEXANDRE DE MORAES

Eduardo pede retomada da Magnitsky para Moraes após veto a visitas de Flávio a Jair Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro pede volta de sanções americanas contra Alexandre de Moraes. (Foto: Fernando Bizerra/Agência EFE)


O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu, nesta segunda-feira (13), o restabelecimento das sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorreu após o magistrado suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em publicação escrita em inglês, Eduardo relacionou a medida judicial ao processo eleitoral brasileiro. "Se em todo um país apenas um prisioneiro é proibido de se comunicar com seu filho – e candidato à Presidência – por razões políticas, esta eleição não deveria, de antemão, ser reconhecida como democrática pelos países livres", afirmou Eduardo.

Na sequência, o parlamentar afirmou que os Estados Unidos devem restabelecer a sanção Magnitsky contra o ministro do STF. O governo norte-americano impôs a punição a Moraes em julho de 2025, mas revogou a medida em dezembro do mesmo ano.

Moraes cobra explicações sobre carta de Bolsonaro e aciona Procuradoria Eleitoral

A declaração de Eduardo ocorreu horas depois da decisão de Moraes. O ministro também determinou que a defesa de Jair Bolsonaro preste esclarecimentos, no prazo de 48 horas, sobre uma carta escrita pelo ex-presidente e divulgada nas redes sociais de Flávio Bolsonaro.O documento reafirma a candidatura presidencial do senador, pede a união da direita e apresenta Flávio como "porta-voz" do pai. De acordo com o magistrado, o episódio apresenta indícios de descumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro no regime de prisão domiciliar humanitária. Por fim, o ministro encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral. O órgão avaliará a ocorrência de eventual propaganda eleitoral antecipada.

Eduardo Bolsonaro reside em território norte-americano desde fevereiro deste ano. O ex-parlamentar, que teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, é réu em um processo no STF sob a acusação de tentar coagir autoridades brasileiras contra o andamento legal do processo contra o pai, acusado de tramar um golpe de estado no país.

Por Bruno Maffi

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA ESCANCARADA

Moraes ignorou outras cartas de Jair e vetou visita de Flávio após pedido de petista

Alexandre de Moraes escreveu que, em agosto de 2025, decretou prisão domiciliar de Bolsonaro após Flávio transmitir a recado do pai durante manifestação no Rio (Foto: Gustavo Moreno/STFr)

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, marca uma mudança de postura em relação à divulgação de outras quatro cartas escritas pelo ex-chefe do Executivo.

Até o primeiro turno das eleições, Flávio ficará impedido de se comunicar com Bolsonaro por causa da divulgação nas redes sociais de uma carta em que o ex-presidente pede apoio ao filho e o aponta como seu porta-voz.

Antes dessa carta, porém, outras quatro de Bolsonaro foram divulgadas sem maiores consequências. A avaliação de analistas ouvidos pela Gazeta do Povo é que o caso suscita um debate sobre a uniformidade na aplicação das decisões judiciais.

Em dezembro do ano passado, Bolsonaro também enviou uma carta pública ao filho, confirmando sua indicação como pré-candidato da direita à Presidência da República em 2026. O texto foi divulgado por Flávio nas redes sociais e repercutiu nacionalmente, mas não motivou qualquer providência.

Em fevereiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nas redes uma carta de Bolsonaro com uma declaração de amor em razão dos 18 anos de casamento. Em março, aliados publicaram outra carta em que Bolsonaro defendia de Michelle de críticas de parte da direita. Logo depois, Michelle divulgou outra carta em que Bolsonaro manifestava apoio à candidatura do deputado Marcos Pollon (PL-MS) para a eleição do Senado.

A nova decisão de Moraes foi proferida após provocação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu ao ministro a volta de Bolsonaro para o regime fechado e a abertura de investigação contra Flávio. Moraes optou por suspender as visitas por 90 dias – prazo que se encerra após o primeiro turno das eleições – e abriu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro tinha conhecimento de que o conteúdo seria divulgado nas redes sociais.

Em transmissão ao vivo, Flávio, que também visita o pai na condição de advogado de defesa, protestou contra a medida. "Está parecendo jogo combinado. Isso é democracia aonde? Decisão política, absurda, arbitrária, ilegal, inconstitucional! Está cerceando o filho de ter acesso a um pai que está com a liberdade restrita! Está atropelando as prerrogativas de um advogado! Está cerceando o direito do filho e do pai com a liberdade cerceada!"

Para o advogado criminalista e doutor em Direito Penal Eduardo Maurício, a diferença de tratamento exige uma justificativa objetiva da Corte. "Houve duas cartas semelhantes, ambas divulgadas pela mesma pessoa. A primeira não gerou qualquer consequência jurídica. A segunda levou à suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro e à apuração de eventual descumprimento das medidas cautelares", afirma.

A advogada constitucionalista Vera Chemin também identifica uma diferença relevante entre os dois momentos, mas avalia que o contexto eleitoral pode ter influenciado a decisão mais recente. Ela ressalta que a Lei de Execução Penal assegura ao preso o direito de manter contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, embora esse direito possa ser restringido por decisão fundamentada do juiz da execução.

Como Moraes justificou a proibição de Flávio visitar Jair Bolsonaro

Ao justificar a suspensão das visitas, Moraes também mencionou um episódio anterior envolvendo Flávio Bolsonaro. O ministro lembrou que o senador já havia sido advertido após divulgar, em suas redes sociais, uma participação do pai por chamada telefônica colocada no viva-voz durante um ato realizado em Copacabana.

Segundo o ministro, a publicação contrariava a proibição de utilização das redes sociais por terceiros imposta ao ex-presidente e, embora a postagem tenha sido posteriormente apagada, serviu como precedente para a nova decisão.

Na decisão, o ministro afirma que a medida cautelar imposta ao ex-presidente proíbe a utilização de redes sociais "diretamente ou por intermédio de terceiros". Também cita que Flávio anunciou previamente a leitura da carta e posteriormente a divulgou em seus perfis, o que, em tese, poderia caracterizar tentativa de contornar a restrição.

Em março, quando concedeu a prisão domiciliar a Bolsonaro, Moraes impôs como condição a "proibição de uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, diretamente ou por intermédio de terceiros".

Além das duas cartas atribuídas à Jair Bolsonaro, aliados lembraram que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também utilizava cartas para se comunicar com os brasileiros quando estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, o então ex-presidente Lula escreveu uma carta que foi lida em um ato de campanha de Fernando Haddad, candidato à Presidência na ocasião. A carta foi divulgada nas redes sociais oficiais do partido e do próprio Lula.

Nas redes sociais, Lindbergh Farias afirmou continuar defendendo que Bolsonaro volte para a prisão em regime fechado, na penitenciária da Papuda, em Brasília. "Bolsonaro já descumpriu várias medidas cautelares. Tentou romper a tornozeleira eletrônica, tinha 10 armas na casa dele, ele já estava em prisão domiciliar antes de ser preso definitivamente, quando foi no Senado e fez aquela patacoada, mostrando a tornozeleira. Então vocês querem, volta a prisão na Papuda", afirmou.

Primeira carta foi divulgada sem qualquer sanção

Em 25 de dezembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro tornou pública uma carta redigida por Jair Bolsonaro dois dias antes, quando o ex-presidente ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Na mensagem, também dirigida "aos brasileiros", Bolsonaro confirmava o apoio à pré-candidatura de Flávio à Presidência da República.

Na ocasião, Flávio leu a carta em frente ao hospital para o qual o ex-presidente havia sido transferido para realizar uma cirurgia. O conteúdo também foi amplamente reproduzido por veículos de imprensa e por apoiadores nas redes sociais.

À época, já vigorava a proibição de Bolsonaro de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. Mesmo assim, Moraes não adotou nenhuma medida em relação à divulgação da carta nem aplicou sanções ao ex-presidente ou a seus apoiadores.

Correspondência escrita é assegurada em lei, mas cautelar impôs restrições

O contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita está entre os direitos do preso previstos na Lei de Execução Penal. Na avaliação do advogado criminalista Matheus Herren Falivene, doutor e mestre em Direito Penal pela USP, a divulgação da carta por um terceiro não configura, automaticamente, descumprimento das restrições impostas pelo STF. Ele observa, no entanto, que “o ministro pode interpretar de maneira diversas, considerando um ato político”.

Para o advogado criminalista Eduardo Maurício, a configuração de uma violação às restrições ainda depende de provas. Ele ressalta que a existência da carta, por si só, não justifica o endurecimento das cautelares. Para ele, qualquer agravamento deverá respeitar os princípios da necessidade, da adequação e da proporcionalidade, além de depender da demonstração concreta da participação do ex-presidente na estratégia de divulgação.

"O STF precisará concluir que houve efetivo descumprimento da decisão, ou seja, que Bolsonaro utilizou terceiros para contornar a proibição de acesso às redes sociais", afirma.

A advogada constitucionalista Vera Chemin, por sua vez avalia é improvável que o episódio, isoladamente, resulte na revogação da prisão domiciliar.

Segundo Chemin, a medida concedida a Bolsonaro possui caráter humanitário em razão de seu estado de saúde, circunstância que deverá ser considerada antes de eventual agravamento das restrições. Na avaliação da jurista, o juiz deverá ponderar o direito fundamental à saúde com a gravidade concreta da conduta, observando os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

Para ela, a leitura de uma carta com conteúdo político-eleitoral "não contém elementos suficientes para mudar o regime prisional", sendo mais adequada, em caso de entendimento de irregularidade, a aplicação de advertência prevista na legislação.

Segundo o advogado criminalista e doutor em Direito Penal Eduardo Maurício, caso o STF considere que a divulgação da carta mais recente configura violação das restrições impostas ao ex-presidente, "será importante esclarecer quais elementos concretos diferenciam esse episódio do anterior e justificam um tratamento distinto".

Na avaliação do criminalista, "a segurança jurídica e a isonomia exigem que situações semelhantes recebam tratamento semelhante ou, havendo distinção, que ela seja devidamente fundamentada pelo Poder Judiciário".

Oposição e defesa de Flávio acusam Moraes de interferência eleitoral

O advogado da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Tracy Reinaldet, afirmou, por meio de nota enviada à imprensa, que a decisão de Alexandre de Moraes é "ilegal e inconstitucional" por restringir direitos assegurados ao ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar.

Segundo Reinaldet, a determinação desrespeita a Lei de Execução Penal ao impedir que Bolsonaro receba visitas de familiares e mantenha comunicação com o mundo exterior, direitos previstos no artigo 41 da legislação. O advogado também sustenta que a medida afronta o Estatuto da Advocacia, uma vez que Flávio Bolsonaro integra a defesa do pai e, nessa condição, teria o direito de se comunicar com seu cliente.

Na nota, Reinaldet afirma ainda que a Constituição de 1988 afastou a possibilidade de incomunicabilidade do preso e argumenta que a decisão de Moraes aproxima Bolsonaro dessa situação, considerada inconstitucional pela jurisprudência do STF. O advogado informou que a defesa pretende adotar as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão.

A decisão também provocou reação do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). Em nota, o senador classificou como "autoritária" e "desproporcional" a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, afirmando que a medida tem o efeito de tornar o ex-presidente "incomunicável" e representa uma interferência no cenário político. Segundo ele, parte do STF teria deixado a posição de "árbitro institucional" para atuar como adversário político de Jair Bolsonaro e da oposição.

Marinho comparou o caso à situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que esteve preso, quando recebeu visitas de aliados, divulgou cartas e concedeu entrevistas que tiveram ampla repercussão pública.

O senador também afirmou que há um tratamento desigual entre os dois casos e acusou parlamentares do PT de atuarem em conjunto com o STF para impor novas restrições ao ex-presidente.

Por fim, citou decisões e manifestações da mais alta corte da Itália e de tribunais da Espanha, Estados Unidos e Argentina, onde são apontadas irregularidades ou restrições à atuação do ministro Alexandre de Moraes em processos envolvendo integrantes da direita.

Para Marinho, impedir o contato entre pai e filho representa uma tentativa de silenciar Bolsonaro e seus apoiadores.

Por Aline Rechmann

COCAÍNA APREENDIDA

Marinha e PF apreendem quatro toneladas de cocaína no Atlântico

Quatro toneladas de cocaína apreendidas no Atlântico Foto:PF e Marinha/Divulgação

Operação contou com apoio de autoridades dos Estados Unidos



Uma força-tarefa interceptou quase quatro toneladas de cocaína em um barco pesqueiro no Oceano Atlântico. A Polícia Federal e a Marinha divulgaram o balanço oficial da operação nesta segunda-feira (13), confirmando a apreensão de 3.748 quilos da droga embalada.

O navio pesqueiro de madeira foi abordado na última terça-feira (7) em águas internacionais, a cerca de 1,5 mil quilômetros da costa do Pará. Quatro tripulantes paraenses que estavam a bordo foram presos em flagrante e responderão por tráfico internacional em Belém.

A embarcação atracou nesta segunda no Cais da Base Naval de Val de Cães, onde os entorpecentes foram pesados. O longo trajeto e as condições de navegação explicam o intervalo de quase uma semana entre a abordagem em alto-mar e a chegada do barco à capital paraense.

Segundo as investigações, o barco pesqueiro partiu vazio do território paraense e foi carregado com as drogas em um ponto do Atlântico. De acordo com a PF e a Marinha, o destino final da carga ilícita seria a Guiné, país localizado na costa oeste do continente africano.

A ação contou com o apoio de agências de inteligência dos Estados Unidos, incluindo o órgão de combate às drogas (DEA) e a força-tarefa Joint Interagency Task Force South. A Polícia Federal informou que o inquérito policial continuará para identificar outros envolvidos.

Kleber Pizão 

PARA MORAES LULA PODE TUDO E BOLSONARO NADA

Nikolas compara atos de Lula na prisão com decisão de Moraes

Nikolas Ferreira Foto: reprodução/Instagram (@nikolasferreiradm)

Enquanto Bolsonaro segue incomunicável, o petista até fez reuniões políticas na sede da PF em Curitiba



Nesta segunda-feira (13), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar comparou a medida com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso.

A restrição impede Flávio de manter contato com Bolsonaro até o fim do primeiro turno das eleições. O deputado também afirmou que o ex-presidente está sendo impedido de se comunicar com apoiadores e relembrou reportagens sobre a rotina de Lula durante sua prisão, entre 2018 e 2019.

– Alexandre Moraes acaba de tomar uma decisão dizendo que o Flávio não pode visitar Jair Bolsonaro por 90 dias. Ou seja, coincidência ou não, o Flávio vai ficar sem conversar com o seu pai, o maior líder da direita, até o final do primeiro turno.

O parlamentar citou notícias que mostravam Lula recebendo visitas enquanto estava preso. Na época, o então ex-presidente recebeu centenas de visitantes, concedeu entrevistas e teve cartas divulgadas durante a campanha eleitoral de 2018, incluindo uma mensagem de apoio ao então candidato Fernando Haddad (PT).

– Com cela aberta e reuniões diárias, a campanha de Lula é desenhada na prisão. Em três meses, o Lula recebeu 572 visitas lá na cadeia. Tem entrevista, tanto pra imprensa local quanto também internacional – comenta o deputado.

Nikolas também comparou a divulgação de uma carta de Lula durante a campanha de 2018 com a investigação aberta após Flávio Bolsonaro ler, em público, uma carta escrita pelo pai. Segundo o deputado, há tratamento desigual entre os dois casos.

– Durante a campanha eleitoral de 2018, enquanto o Lula tava preso, veio um porta-voz ler uma carta do Lula. E agora o Moraes vem acionar o Ministério Público Eleitoral pra poder investigar falando que houve propaganda antecipada na divulgação da carta de Bolsonaro.

Assista:

NO STF SÃO DOIS PESOS DUAS MEDIDAS

Carta de Lula na prisão foi lida na campanha de Haddad em 2018

Lula e Fernando Haddad Foto: PR/Ricardo Stuckert



Dezenas de bilhetes foram escritos pelo petista durante prisão em Curitiba



Após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), começaram a circular nas redes sociais registros de cartas escritas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que esteve preso, em 2018. A comparação foi destacada pela campanha de Flávio.

Segundo informações divulgadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em junho de 2019, quando a prisão de Lula completou um ano, o então ex-presidente escreveu dezenas de bilhetes direcionados a aliados, dirigentes do partido, eleitores e pessoas próximas.

Entre os destinatários estavam a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, a ex-presidente Dilma Rousseff, o escritor Fernando Morais, o então prefeito de Araraquara, Edinho Silva, e apoiadores que mantinham vigília em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Uma das cartas teve conteúdo eleitoral e foi divulgada durante a campanha presidencial de 2018. No texto, Lula oficializou o apoio a Fernando Haddad (PT) e pediu votos ao então candidato após a Justiça impedir sua candidatura.

– Quero pedir, de coração, a todos os que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República. De hoje em diante, Haddad será Lula para milhões de brasileiros – diz o bilhete lido durante a campanha.

A campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que, na época, as manifestações de Lula foram divulgadas e utilizadas pelo PT sem que houvesse restrições judiciais.

– As mensagens de conteúdo político-eleitoral circularam livremente e foram utilizadas pelo PT para influenciar o debate eleitoral, sem que isso resultasse em restrições judiciais – diz nota.

Leiliane Lopes

VAI INTERFERIR NOVAMENTE NAS ELEIÇÕES

Flávio afirma que Moraes está tentando “interferir nas eleições”

Flávio Bolsonaro Foto: reprodução/Youtube (Flávio Bolsonaro)



Senador e pré-candidato fez uma live em seu canal do Youtube



O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que barrou suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (13) durante uma live em seu canal do YouTube.

Moraes suspendeu as visitas sob o argumento de que o senador usou o encontro familiar para burlar a proibição de Jair Bolsonaro se manifestar publicamente. O estopim foi a divulgação de uma carta de apoio do ex-presidente à pré-candidatura do filho ao Planalto.

Na transmissão online, Flávio afirmou que o bloqueio de visitas até o fim do primeiro turno é uma tentativa de interferir nas eleições. Ele alegou que a medida busca deixar o ex-presidente incomunicável e questionou por que outras cartas não foram alvo de punição.

— (A determinação) claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Não bastasse toda a maldade e injustiça que ele já vem fazendo com o Jair Messias Bolsonaro, o melhor presidente da história deste Brasil (…) o que Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar meu pai incomunicável — disse.

Flávio reforçou o prazo estabelecido pelo ministro e a relação com o período eleitoral, e afirmou que Moraes está procurando razões para tirar Bolsonaro do regime domiciliar.

— Não por acaso, ele toma a decisão deixando o presidente Bolsonaro sem falar com o próprio filho, no caso, Flávio Bolsonaro, eu, por 90 dias. Ou seja, eu só poderia voltar a falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para estabelecer 90 dias? (…) O que eu percebo é que, mais uma vez, Alexandre de Moraes está apenas procurando uma desculpa para tirar o meu pai da prisão domiciliar em que ele se encontra. Gente, não vamos ser ingênuos — questionou.

O senador, que integra a equipe de defesa de seu pai, informou que recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele sustenta que a restrição imposta viola prerrogativas da advocacia, que asseguram por lei o livre acesso e a comunicação entre o advogado e seu cliente.

— A OAB já está ciente e estamos em processo de formalizar isso para que a Ordem também entre nessa questão. Eu quero fazer aqui até uma espécie de desabafo com todos vocês, porque está muito claro que o Alexandre de Moraes quer tirar o meu pai da prisão domiciliar a qualquer custo — afirmou.

A defesa de Jair Bolsonaro tem 48 horas para esclarecer se ele sabia do compartilhamento do documento. Na decisão, o ministro do STF apontou reincidência, afirmando que pai e filho já haviam descumprido medidas restritivas semelhantes em agosto do ano passado.

Kleber Pizão 

CRISE ENERGÉTICA

Dívida bilionária acende alerta no mercado de energia

Usina de energia solar na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). (Foto: Davi Soares/Diário do Poder)

Comercializadoras acumulam mais de R$6 bilhões em débitos após sequência de dificuldades financeiras e pressionam setor por mudanças nas regras de segurança


O mercado livre de energia atravessa uma das maiores crises de sua história recente.

Levantamento divulgado nesta segunda-feira (13) mostra que pelo menos 11 comercializadoras acumulam mais de R$6 bilhões em dívidas, cenário que levou parte dessas empresas a recorrer à recuperação judicial ou extrajudicial nos últimos meses.

Entre abril e maio, quatro companhias registraram colapso financeiro.

A 2W Ecobank entrou com pedido de recuperação judicial com um passivo de aproximadamente R$2,39 bilhões.

A Tradener, uma das pioneiras do segmento, concentra cerca de R$1,7 bilhão em dívidas.

Já a Electra solicitou recuperação judicial com débitos próximos de R$1,3 bilhão, enquanto a Gold recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar mais de R$1 bilhão junto aos credores.

Segundo informações do setor, a deterioração financeira foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles a forte volatilidade dos preços da energia no mercado de curto prazo, mudanças regulatórias e o aumento das exigências de garantias financeiras para realização das operações.

Empresas que haviam firmado contratos em condições anteriores acabaram enfrentando dificuldades para honrar os compromissos quando os custos aumentaram de forma significativa.

O cenário também foi influenciado pelas oscilações na oferta de energia registradas entre 2023 e 2025.

Eventos climáticos reduziram a geração hidrelétrica, tradicionalmente mais barata, enquanto limitações sobre parte da geração renovável diminuíram a disponibilidade de energia no sistema, elevando a volatilidade dos preços negociados.

No mercado livre de energia, empresas e grandes consumidores negociam diretamente a compra de eletricidade com geradoras e comercializadoras, definindo preços, volumes e prazos sem as regras tarifárias do mercado regulado.

O modelo ganhou espaço nos últimos anos por oferecer maior flexibilidade e possibilidade de redução de custos, mas também expõe seus participantes às oscilações de preços e à necessidade de manter garantias financeiras para assegurar o cumprimento dos contratos. 

O Ministério de Minas e Energia informou que acompanha a evolução do quadro por meio do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

De acordo com a pasta, os indicadores disponíveis não apontam risco sistêmico para o fornecimento de energia.

Paralelamente, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avaliam medidas para reforçar as exigências de garantias financeiras e reduzir o risco de novos episódios de inadimplência entre as comercializadoras.

Pedro Taquari

HUGO MOTTA ACREDITOU NA LOROTA DE LULA

Lula levou Motta ‘no bico’ para obter neutralidade do Republicanos

Lula ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta - Foto: assessoria/PR.


Petista insinuou apoio ao pai do presidente da Câmara candidato a senador

 

A “neutralidade” do Republicanos na disputa pelo Planalto passou pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, filiado ao partido. O paraibano foi convencido por Lula (PT) a arrancar essa posição acenando com a “cenoura” de apoio a seu pai para o Senado. Quis dar um “tiro de inquietação nos inimigos” Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, filiado ao Republicanos. Lula recolheu a “cenoura” e não apoiará o pai de Motta. Mas conseguiu o que queria. 

O papel de Hugo Motta na “rasteira” a Flávio Bolsonaro, como deputados do PL definem a jogada, foi confirmada por políticos do Republicanos.

Acusado pela oposição de submissão a Lula, Motta é também ligado ao presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP).

Pereira tirou Motta do baixo clero para substituí-lo quando percebeu que não teria apoio de Lula a sua eleição para suceder a Arthur Lira (PP-AL).

Diário do Poder