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terça-feira, 1 de setembro de 2026

ALFREDO GASPAR

O STF descondenar Lula já sinalizava ‘safadeza generalizada’

Deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) - Foto: Carlos Moura/Agência Senado.


Vice de Flávio Bolsonaro disse estar impressionado com novas suspeitas sobre ministro Moraes e Daniel Vorcaro


As novas suspeitas de articulações de integrantes da cúpula do Judiciário do Brasil para favorecer o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro levaram o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL) a lembrar, nesta terça-feira (1º), que o Supremo Tribunal Federal (STF) foi quem anulou as condenações por corrupção que já levaram o presidente Lula (PT) a ser preso. Alfredo disse ao Diário do Poder que tal fato já teria sinalizado ao Brasil que haveria “safadeza generalizada” na nação.

“Estou impressionado. A que ponto da República chegamos. A anulação das condenações por corrupção de Lula foi o sinal para o Brasil que as portas da nação estavam abertas para a safadeza generalizada”, respondeu o deputado federal Alfredo Gaspar.

O vice da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda considerou que o ministro André Mendonça deve avançar o caso do Banco Master a um “caminho sem volta”, a partir das novas suspeitas de que Moraes teria recebido pedidos de Vorcaro para articular proteção do ex-banqueiro no processo de investigação do maior crime financeiro da história do Brasil.

Nesta terça-feira, a CNN Brasil revelou que Mendonça mandou investigar graves suspeitas de que o ministro Alexandre de Moraes teria pedido a proteção de Vorcaro ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. E as investigações indicaram que Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões entre o ex-banqueiro do Master e o escritório jurídico de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Além disso, houve a revelação de que Vorcaro perguntou ao ministro se deveria fugir do Brasil, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o ex-banqueiro preso na Operação Compliance Zero.

A fala de Alfredo sobre o presidente lembra que Lula ficou preso por 580 dias, entre 2018 e 2019, ao cumprir penas por condenações, que foram anuladas em 2021, pelo Supremo, ao concluir que houve conluio entre Justiça e acusação, nos processos da Operação Lava Jato.

O Diário do Poder enviou pedidos por posicionamentos à assessoria de imprensa do STF e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Davi Soares

CARTÕES DE CRÉDITO PARA OS FILHOS DE MORAES

Vorcaro autorizou cartões de crédito de R$300 mil para os filhos de Moraes

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro - (Foto: Reprodução/Esfera Brasil)

Documento de 218 páginas mostra que banqueiro liberou cartões após pedido do escritório da esposa do ministro


O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, autorizou a emissão de cartões de crédito com limite de R$300 mil para cada um dos dois filhos do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta em relatório da Polícia Federal (PF) que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Pedido partiu do escritório da mulher de Moraes

Segundo as mensagens citadas no documento, o pedido chegou a Vorcaro em 2 de outubro de 2025, por meio de Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bem? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”, escreveu Benazzi, referindo-se aos filhos do casal, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes.

Vorcaro respondeu encaminhando o contato de Adriana Solano, então superintendente executiva comercial do banco. No mesmo dia, Adriana procurou o banqueiro para confirmar a operação:

“O Guilherme, que trabalha com a dra. Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela… Limite de 300 para cada… Posso seguir?”. Vorcaro autorizou o prosseguimento.

Contrato de R$ 131 milhões e edição por perfil de Moraes

O relatório da PF também aponta que a versão final de um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes — que previa 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos, cerca de R$ 131,3 milhões em valores brutos — foi editada por um perfil identificado no Office 365 como “Ministro Alexandre de Moraes”.

PGR terá cinco dias para se manifestar

O material foi reunido pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro, e resultou em um documento de 218 páginas enviado ao gabinete de Mendonça. Ao retirar o sigilo, o ministro determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso em até cinco dias úteis. A decisão não abre, neste momento, uma investigação formal contra Moraes.

Procurado, o escritório Barci de Moraes divulgou nota afirmando que a contratação pelo Banco Master não teve qualquer impedimento legal, já que o setor de compliance da banca consultou Moraes antes da assinatura e o ministro nunca julgou causas envolvendo a instituição.

Davi Pereira

VAI AO PLENÁRIO

Mendonça levará ao plenário os diálogos entre Moraes e Vorcaro

André Mendonça, Vorcaro e Alexandre de Moraes Fotos: Rosinei Coutinho/STF, Andre Borges/EFE e Ana Paula Paiva/Agência O Globo

Decisão depende agora do presidente do STF, Edson Fachin



O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sugeriu que as novas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, na investigação do caso Master, sejam levadas ao plenário da Corte.

Na decisão que quebrou o sigilo das investigações, nesta terça-feira (1º), Mendonça ressaltou a necessidade de uma análise pública da ação.

— Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial — escreveu o relator do caso.

A confirmação da análise do caso pelo plenário da Corte depende de todos os ministros da Casa, e a decisão final cabe ao presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin.

André Mendonça também determinou a separação das apurações dos novos elementos da investigação original. Segundo o ministro, a medida é necessária diante das suspeitas de práticas ilícitas por parte de ministros da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O magistrado reforçou que o Regimento Interno do Supremo e a Constituição dizem que tanto ministros do STF como o PGR devem ser julgados pelo plenário da Suprema Corte.

— Após a análise preliminar das novas informações apresentadas, considerando que seriam aptas a ensejar a adoção de modalidade procedimental própria, ante a necessária observância à regra contida no art. 5º, I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, determinei o seu desentranhamento dos autos originários e a consequente transferência para PET (Classe de Processo de Petição) autônoma, culminando na autuação desta PET — declarou.

Kleber Pizão

PRISÃO PREVENTIVA DE ALEXANDRE DE MORAES

Nikolas Ferreira pedirá ao STF prisão preventiva de Moraes

Nikolas Ferreira e Alexandre de Moraes Fotos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados // Carlos Moura/SCO/STF



Medida tem como objetivo apurar supostas irregularidades atribuídas ao ministro



O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta terça-feira (1º) que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a abertura imediata de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a assessoria do parlamentar, além de solicitar o afastamento cautelar do cargo, o documento também pedirá a decretação de prisão preventiva do magistrado, enquanto se apuram as supostas irregularidades atribuídas ao ministro.

O nome de Alexandre de Moraes apareceu em novos diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro, obtidos pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça ordenou a quebra de sigilo do caso. As mensagens citam, inclusive, o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em uma das mensagens, enviada uma semana antes da primeira prisão de Vorcaro, o banqueiro pediu ao ministro Moraes que tentasse acionar Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para adiar uma operação.

– Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível – escreveu Vorcaro.

Em outro trecho, enviado um dia antes da prisão, o banqueiro voltou a questionar Moraes sobre a possibilidade de reverter a ação de autoridades.

– Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso – escreveu Vorcaro, em referência a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

O relatório da PF aponta ainda que Vorcaro dizia ao interlocutor que precisava de proteção de Andrei e Paulo para evitar que subordinados da Polícia Federal e do Ministério Público Federal tomassem medidas contra ele.

Moraes convocou uma reunião com Mendonça para tratar do caso, mas os ânimos teriam se exaltado no encontro, e os colegas de Corte quase chegaram às vias de fato, nesta terça-feira (1º).

Kleber Pizão

PEDIDO DE PRISÃO E IMPEACHMENT

Marcel van Hattem quer prisão e impeachment de Moraes

Alexandre de Moraes Foto: EFE/Andre Borges



Deputado fará os pedidos formais ao Senado e à Câmara



O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou nesta terça-feira (1º) que vai apresentar um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também afirmou que pedirá a prisão preventiva do magistrado na Câmara.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar relacionou a iniciativa a informações atribuídas a mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) em dispositivos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo van Hattem, os registros levantam suspeitas sobre uma possível tentativa de interferência em investigações.

– Chegando em Brasília agora, vou pedir no Senado o impeachment de Alexandre de Moraes, um novo pedido. Também na tribuna da Câmara, pedir a prisão preventiva ao ministro André Mendonça do Alexandre de Moraes por tudo que a gente está vendo ao longo desse dia.

Van Hattem citou ainda mensagens nas quais Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o Brasil antes de ser preso. As apurações também apontam pedidos do ex-banqueiro sobre possíveis medidas de investigação e contatos com autoridades, como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

– A gente está vendo claramente a tentativa de obstrução de justiça, a relação que Daniel Vorcaro tinha direto com Alexandre de Moraes dois dias antes da sua prisão, perguntando se tinha que sair do país.

As informações também envolvem o contrato de honorários entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo os relatos, o acordo previa R$ 131 milhões por três anos e teria tido alterações na versão final atribuídas a Moraes.

– Vimos também o procurador-geral da República atendendo os advogados de Daniel Vorkari, dando informações sigilosas e para concluir, R$ 300 mil de limite mensal num cartão de crédito para os filhos do Alexandre de Moraes.

As mensagens também mencionariam a solicitação de cartões corporativos com limite de R$ 300 mil para cada um dos dois filhos do ministro. De acordo com as informações apresentadas, a Polícia Federal conseguiu acessar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não recuperou eventuais respostas de Moraes, porque os textos eram enviados em modo de visualização única.

– Não é possível que a gente continue assistindo tudo isso e ache que vai se manter impune. Uma pessoa que já deveria ter sofrido impeachment, se tivesse alguma deficiência, teria renunciado e com certeza o destino dele é a cadeia.

Ao anunciar as medidas, o deputado disse que pretende levar os pedidos ao Senado e à Câmara. As alegações citadas por ele estão relacionadas às apurações sobre Vorcaro e ainda devem ser analisadas pelas autoridades responsáveis.

– Por isso estou agora chegando aqui em Brasília para tomar as atitudes que são necessárias – concluiu o parlamentar.

Pleno.News 

O PAU IA CANTANDO

STF: Mendonça e Moraes quase chegam às vias de fato, diz portal

Alexandre de Moraes e André Mendonça Fotos: EFE/ Andre Borges e Carlos Moura/SCO/STF

Encontro ocorreu após novas mensagens reveladas entre Moraes e Vorcaro



Uma reunião entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quase terminou em agressão física, em Brasília. A conversa teria sido convocada por Moraes, após a revelação de novas mensagens trocadas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O clima esquentou após Moraes descobrir que o relator do caso Master havia determinado à Polícia Federal (PF) que revelasse a identidade de quem dialogava com Vorcaro em uma troca de mensagens que envolvia o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

As mensagens foram encontradas pela PF em um dos celulares de Vorcaro. Inicialmente, os investigadores não conseguiram identificar quem estava do outro lado da conversa. O banqueiro tinha o hábito de escrever mensagens em blocos de notas, fazer capturas de tela e encaminhá-las como imagens de visualização única.

Mendonça questionou o colega de Corte sobre como ele havia conseguido ter acesso às informações da investigação, que são sigilosas. Moraes, por sua vez, rebateu o relator do caso, alegando que ele a estaria tomando para si, sendo que, para um ministro do Supremo ser investigado, é preciso que todo o colegiado esteja de acordo.

As informações foram apuradas pela coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles. A jornalista apurou ainda que o ministro Alexandre de Moraes estaria preparando um contra-ataque contra André Mendonça, após as últimas revelações.

Kleber Pizão 

O SIGILO CAIU

Mendonça retira sigilo de ação expõe contatos de Alexandre de Moraes com Vorcaro

Ministro do STF André Mendonça - Foto: Sophia Santos/STF.


Decisão de 218 páginas aponta indícios de uma rede de influência ligada ao ex-banqueiro e determina manifestação da PGR em cinco dias úteis


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de documentos relacionados à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso em até cinco dias úteis.

A decisão, com 218 páginas, aponta que a investigação reuniu indícios de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria estruturado uma rede de monitoramento e influência com potencial para obter informações de instituições da República e utilizá-las em negociações econômicas. Segundo Mendonça, mensagens encontradas no celular de Vorcaro registram contatos com autoridades e outras pessoas ainda não identificadas.

Entre os nomes citados está o ministro Alexandre de Moraes.

A decisão descreve registros de contatos atribuídos a Moraes e identificados no aparelho por nomes como “Alexandre de Moraes Brasília”, “Alexandre de Moraes Novo” e “STF”.

De acordo com o documento, os registros utilizavam o mesmo número telefônico.

Outro ponto envolve a contratação do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. A decisão reproduz mensagens nas quais Viviane encaminha a Vorcaro uma minuta de contrato de prestação de serviços para análise.

De acordo com os metadados, a última modificação do arquivo teria sido realizada por um usuário chamado “Ministro Alexandre de Moraes”, em janeiro de 2024. Posteriormente, o documento teria retornado a Vorcaro com marcas de revisão feitas por seu advogado.

A investigação também menciona conversas entre Vorcaro e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, então diretor e tesoureiro do Banco Master. Em um dos diálogos, Ribeiro afirma que tomaria providências para evitar que o contrato com o escritório Viviane vazasse.

Mendonça afirmou que os novos elementos devem ser analisados pelo plenário do STF.

Segundo o ministro, a deliberação deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial, após manifestação da PGR. A decisão não determina, neste momento, a abertura de uma investigação contra Moraes. O documento encaminha os elementos para análise, seguindo o rito previsto para casos que envolvem integrantes da Suprema Corte

Lucas Soares

'PQP AINDA NÃO PAGARAM BARCI'

Vorcaro priorizava pagamentos milionários a esposa de Moraes: ‘Pagar sempre, sem nota’

Ministro do STF Alexandre de Moraes e a esposa Viviane Barci de Moraes - Foto: redes sociais


Segundo a PF, ex-banqueiro do Master orientou que contrato com esposa de ministro era sua prioridade


Relatório da Polícia Federal revelado nesta terça-feira (1º) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça expôs que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela fraude bilionária do Banco Master, determinou que não poderia haver atrasos de pagamentos à esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, pelo contrato de R$ 131 milhões firmado com o escritório jurídico da advogada com o aval do magistrado.

“Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”, disse Vorcaro, em mensagem obtidas pela investigação, cujo sigilo foi retirado por ordem de Mendonça.

A mensagem foi resultado do alerta de atraso feito ao ex-banqueiro por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2020 e 2022.

As conversas ainda mostraram que Vorcaro elegeu o contrato com o escritório jurídico da como “o principal”. E determinou a uma funcionária do Banco Master que poderia “pagar sempre, sem nota”.

“Esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos”, orientou o banqueiro.

Além disso, em uma próxima parcela, do contrato, Vorcaro alertou ao superintendente-executivo de tesouraria do Master, Alberto Felix de Oliveira Neto, que não deveriam ser feitos pagamentos via Pix para a esposa de Moraes. “Mas não faz barci pix ne? Fez?”, perguntou o ex-banqueiro.

O Diário do Poder enviou pedido por posicionamento de Moraes à assessoria de imprensa do STF. E também fica à disposição para publicar esclarecimentos de Viviane Barci.

Davi Soares

CASO BANCO M,ASTER

Mensagens indicam que Vorcaro pediu a Moraes freio em investigação

Conforme as mensagens, o primeiro pedido explícito para que Moraes atuasse junto à cúpula da PF e do Ministério Público ocorreu em 30 de outubro de 2025 (Reprodução/Estado de Minas)

Diálogos obtidos mostram apelos do banqueiro para que ministro acionasse PF e PGR antes da primeira prisão na Operação Compliance Zero


Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o banqueiro pediu reiteradamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recorresse ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre a instituição financeira. Os diálogos, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, se estenderam até poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025.

Conforme as mensagens, o primeiro pedido explícito para que Moraes atuasse junto à cúpula da PF e do Ministério Público ocorreu em 30 de outubro de 2025. Naquele dia, Vorcaro afirmou ser necessário “reforçar” com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet a orientação para que “ninguém de baixo” fizesse “uma sacanagem” contra o Banco Master.

À época, o banco estava prestes a anunciar uma suposta venda para o consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e por investidores dos Emirados Árabes Unidos. Cerca de 20 dias antes da primeira prisão, Vorcaro também enviou ao ministro uma relação com quatro delegados e três procuradores da República envolvidos nas apurações preliminares.

As mensagens mostram que a preocupação do banqueiro aumentou à medida que se aproximava a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se seria possível reverter o avanço das investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, escreveu.

No dia seguinte, às 16h57, Vorcaro voltou a pedir a intervenção do ministro. Questionou se Andrei Rodrigues teria condições de adiar o cumprimento das medidas cautelares que, segundo ele, estavam próximas de ocorrer. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, afirmou.

Na avaliação de investigadores, o conteúdo das conversas indica que o banqueiro tinha conhecimento prévio de que a Polícia Federal poderia deflagrar uma operação contra o Banco Master. Menos de 24 horas antes da prisão, Vorcaro voltou a questionar Moraes sobre a possibilidade de segurar a atuação da PF. “Ele tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar acontecer? Qual sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei dá pra segurar?”, escreveu.

Comunicação por mensagens de visualização única

A forma como Vorcaro e Moraes trocavam mensagens dificultou a recuperação integral da conversa. Os dois utilizavam o recurso de visualização única, com capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular.

Dessa maneira, os investigadores conseguiram recuperar as imagens enviadas pelo banqueiro, mas não as respostas de Moraes. O material, portanto, registra os pedidos e comentários de Vorcaro, mas não permite, segundo as informações fornecidas, reconstruir o teor das manifestações do ministro.

Em 4 de novembro, o banqueiro escreveu que não sabia exatamente qual investigação estava em andamento e perguntou se não seria possível “segurar” a atuação de órgãos como o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou encaminhar a questão a Paulo Gonet.

No dia seguinte, voltou a dizer que estava “um pouco perdido” por desconhecer qual inquérito poderia atingi-lo. Vorcaro afirmou que seus advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval haviam conversado com Gonet, mas que ainda não havia sequer um número de inquérito definido.

“Não vou fazer nenhum movimento”

As mensagens também mostram Vorcaro consultando Moraes sobre a estratégia jurídica a ser adotada por seus advogados. Em determinado momento, afirmou que não tomaria nenhuma iniciativa sem a aprovação do ministro.

“O Pierpaolo tava querendo fazer uma petição nos órgãos pra nos colocar à disposição e pra ter conhecimento se existem inquéritos. Acha que vale a pena? Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo”, escreveu.

Na mesma mensagem, afirmou que Gonet havia dito que acompanhava pessoalmente o caso e que não haveria “sacanagem”, mas que um episódio ocorrido na véspera havia elevado o nível de preocupação. “Uma ação desmedida coloca em risco milhões de clientes”, disse o banqueiro.

Prisões e avanço da Compliance Zero

Os esforços relatados por Vorcaro nas conversas não impediram o avanço da investigação. A Operação Compliance Zero chegou a dez fases, e o banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando estava prestes a embarcar para Dubai.

Vorcaro foi solto em 29 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em 4 de março, voltou a ser preso por determinação do ministro André Mendonça, relator da investigação no STF, e permanece detido no 18º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

O Banco Master é investigado por suspeitas de emissão de títulos de crédito sem lastro real, manipulação de ativos e uma fraude financeira estimada em R$ 12 bilhões. Mendonça, que é o relator do caso, pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o conteúdo das mensagens.

Em outra conversa, registrada em 30 de outubro, pouco depois de pedir a Moraes que acionasse Rodrigues e Gonet, Vorcaro fez elogios ao ministro e afirmou acreditar que ambos poderiam sair fortalecidos da situação.

“Tudo de importante fica no seu colo! Impressionante! Mas seu legado pro Brasil será eterno”, escreveu. Na sequência, afirmou ver uma “chance real de sair ainda mais forte” e disse que isso poderia contribuir para o país. “Juntos em tudo. Muito obrigado por tudo”, concluiu o banqueiro.

Moraes, Rodrigues, Gonet e a defesa de Vorcaro foram procurados pela reportagem do Estadão para que se manifestassem sobre o conteúdo das mensagens, mas até a publicação desta matéria não haviam se pronunciado.

Estado de Minas

CASO BANCO MASTER

Moraes aparece como editor de contrato de R$ 131 milhões com Vorcaro

Segundo os dados do arquivo, a versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane em 15 de janeiro de 2024 foi aberta e modificada no Office 365 utilizado pelo ministro (EVARISTO SÁ/AFP)


Documento firmado pelo escritório da mulher do ministro com Daniel Vorcaro foi alterado em sistema usado por Moraes, segundo investigação


Metadados de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, atribuem ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” uma alteração feita no documento em janeiro de 2024. Os registros foram extraídos do celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, e obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo os dados do arquivo, a versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane em 15 de janeiro de 2024 foi aberta e modificada no Office 365 utilizado pelo ministro. A alteração aparece registrada às 23h04 daquele dia, cerca de uma hora e 40 minutos depois de o banqueiro enviar o documento à advogada pelo WhatsApp. O ministro não se manifestou quando procurado. A defesa de Vorcaro também não respondeu.

O contrato começou a ser discutido entre Viviane e Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. Naquele dia, às 17h23, a advogada enviou ao banqueiro uma minuta pelo celular pessoal. “Prezado Daniel, boa tarde. Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Abraço. Viviane Barci de Moraes”, escreveu.

Quatro dias depois, em 15 de janeiro, Vorcaro devolveu o arquivo com marcas de revisão. Segundo a mensagem enviada às 21h22, apenas a cláusula I.3 havia sido incluída. “Boa noite! Segue o documento preenchido. Foi incluída apenas a cláusula I.3. Por favor, nos indique se está adequada. Caso estejam de acordo, combinamos a assinatura! Um abraço”, escreveu o banqueiro.

É essa versão, devolvida por Vorcaro a Viviane, que, segundo os metadados, foi posteriormente aberta e modificada no sistema Office 365 associado ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes”. Os dados técnicos disponíveis nas propriedades do arquivo registram informações como autor, título e datas e horários de alterações. Na versão analisada, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, aparece como autor original do documento.

Contrato previa R$ 131 milhões
O acordo estabelecia o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório da mulher do ministro, totalizando R$ 108 milhões líquidos. A 11ª cláusula determinava que os valores fossem pagos livres de impostos.

Com a incidência dos tributos previstos no próprio contrato, cada parcela teria valor bruto de R$ 3.646.529,77. Dessa forma, o montante bruto previsto no documento chegava a R$ 131.274.351,72.

A versão final foi enviada por Viviane a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024. A mensagem, enviada às 10h09, dizia apenas: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”.

Cinco dias depois, o banqueiro perguntou como deveria proceder para a assinatura. “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”, escreveu.

Em 23 de janeiro, Viviane informou que estava fora do Brasil e pediu que os documentos físicos assinados fossem encaminhados a Guilherme Benazzi. O contrato foi assinado por Vorcaro no mesmo dia, às 15h15.

A versão assinada pelo controlador do Banco Master foi encaminhada por Fabiano Zettel, homem de confiança de Vorcaro e marido de Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro. No dia seguinte, Viviane pediu que o contrato assinado digitalmente fosse enviado para os endereços de e-mail indicados por ela.

Escritório detalhou serviços

Em março deste ano, após a divulgação da existência do contrato, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou uma nota pública com informações sobre os serviços prestados ao Banco Master.

Segundo o comunicado, o contrato vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025 e previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, podendo alcançar R$ 129 milhões ao longo de três anos - valores que diferem dos registrados na versão do contrato analisado. O escritório afirmou que o vínculo foi encerrado após a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

De acordo com a banca, os serviços foram prestados durante aproximadamente um ano e nove meses. Nesse período, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presencialmente na sede do banco.

O escritório afirmou ainda ter produzido 36 pareceres e opiniões legais sobre temas como compliance, regulação do sistema financeiro, direito trabalhista e previdenciário, proteção de dados e crédito.

Estado de Minas

É TRAMBIQUE EM CIMA DE TRAMBIQUE

Roberta Luchsinger diz que avô é suíço, mas registro é do RJ

Roberta Luchsinger Foto: reprodução

Lobista diz que não tem documentos para comprovar



A empresária e lobista Roberta Luchsinger se apresentava em 2017 como herdeira de um dos sócios do banco suíço Credit Suisse. No entanto, documentos apontam que seu avô nasceu no Rio de Janeiro. A amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), é investigada por diversos crimes.

De acordo com a certidão de casamento de Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, obtida pelo programa Fantástico, da TV Globo, o avô da lobista teria nascido na capital fluminense em 1927 e, à época, atuava como comerciante e era proprietário de uma lavanderia.

Roberta foi questionada pela reportagem sobre a contradição entre as informações de origem do avô, mas ela disse que, mesmo tendo convicção sobre a informação, não teria documentos para comprovar a veracidade dos fatos indicados.

A lobista é investigada por tráfico de influência pela relação com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu ex-assessor, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola; por corrupção ativa e passiva, exploração de prestígio, lavagem de dinheiro e desvio de recursos do INSS.

A reportagem do Fantástico também revelou uma extensa ficha de calotes e dívidas acumuladas pela empresária ao longo dos últimos anos. Desde lojas de roupa de grife até um idoso, que perdeu uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões.

Além dos crimes mencionados, Roberta Luchsinger deixou de pagar mensalidades da escola da filha, contas de um imóvel alugado em área nobre de São Paulo, não pagou por um serviço de tapeçaria em sua residência, não indenizou funcionárias após a demissão, além de não ter pago agência contratada para sua pré-campanha a deputada federal.

Kleber Pizão

ELEIÇÕES 2026

Damares leva ministro de Lula à Justiça por vídeo oficial com número 13

Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) | Foto: Saulo Cruz / Agência Senado

Senadora questiona uso de estrutura e recursos públicos da CGU em material que exibiu sequência associada ao PT


A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou a Justiça Federal do Distrito Federal contra o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, por causa de um vídeo publicado nos canais oficiais do órgão que, segundo a parlamentar, teria utilizado recursos públicos para produzir uma associação eleitoral com o número do Partido dos Trabalhadores (PT).

A ação popular foi protocolada nesta segunda-feira (31) e questiona a utilização de uma imagem em material institucional relacionado à fiscalização e à integridade dos sistemas de votação.

No trecho contestado, uma simulação de votação mostra uma pessoa digitando os números 1 e 3 em uma urna eletrônica.

O número 13 é utilizado pelo PT nas eleições e foi associado pela senadora, na ação, à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Damares, a presença da sequência numérica em uma peça produzida e divulgada por um órgão do governo federal caracteriza possível desvio de finalidade na comunicação institucional.

A parlamentar sustenta que a divulgação de conteúdo oficial deve observar os princípios que regem a administração pública, especialmente a moralidade e a impessoalidade.

Na avaliação apresentada à Justiça, a utilização de uma imagem com referência eleitoral poderia ultrapassar os limites de uma comunicação meramente institucional.

O episódio ganhou repercussão depois que o material foi utilizado também no contexto de uma parceria institucional com a Justiça Eleitoral.

Segundo a documentação apresentada no processo, a Secretaria de Comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou o problema na peça e determinou a retirada da imagem.

A manifestação anexada à ação afirma que o vídeo havia sido produzido de maneira autônoma pela CGU, sem participação editorial do TSE na elaboração do conteúdo.

A própria CGU posteriormente se manifestou sobre o episódio e informou que faria uma nova edição do material.

A sequência numérica foi retirada da peça para evitar interpretações consideradas inadequadas pelo órgão.

A Controladoria atribuiu a imagem a um banco comercial de fotografias e vídeos, indicando que a utilização teria ocorrido a partir de material disponível nesse tipo de plataforma.

A justificativa, entretanto, não encerrou o questionamento apresentado por Damares à Justiça.

Na ação, a senadora argumenta que a origem da imagem não elimina a responsabilidade pela escolha do conteúdo utilizado em uma comunicação oficial.

Para ela, ainda que a publicação de materiais institucionais faça parte das atribuições administrativas da CGU, a utilização de elemento que possa ser associado a uma candidatura ou legenda partidária deve ser analisada sob a ótica da finalidade pública.

Damares também questiona o uso de dinheiro e estrutura estatal na produção, edição, divulgação e gerenciamento do vídeo.

A parlamentar pede que eventuais despesas relacionadas ao material sejam identificadas e, caso a irregularidade seja reconhecida judicialmente, ressarcidas aos cofres públicos.

Entre os pedidos apresentados está uma tutela de urgência para impedir que o vídeo volte a ser publicado, distribuído ou impulsionado por canais oficiais da União e da CGU.

A senadora também solicita a condenação do ministro ao ressarcimento integral dos valores eventualmente empregados na produção e divulgação do conteúdo que ela considera irregular.

A ação popular ainda será analisada pela Justiça Federal, que deverá avaliar os argumentos apresentados e as medidas solicitadas pela parlamentar.

Até o momento, a iniciativa de Damares representa uma contestação judicial ao episódio, e não uma decisão definitiva reconhecendo irregularidade ou responsabilidade do ministro.

O caso coloca novamente em discussão os limites da comunicação institucional de órgãos públicos em período eleitoral, especialmente quando peças produzidas com recursos estatais apresentam elementos que possam ser associados a partidos ou candidatos.

Pedro Taquari