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quarta-feira, 3 de junho de 2026

VAI CONVERSAR COM TRUMP

Flávio pedirá a Trump para não taxar produtos brasileiros

Momento em que o presidente Donald Trump recebia o senador Flávio Bolsonaro, seu irmão Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo - Foto: White House.



Senador diz que enviará carta contra tarifas de 25% propostas pela USTR


O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (2) que enviará uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando que não sejam aplicadas novas tarifas sobre o Brasil.

“De qualquer forma, eu vou enviar uma carta ao governo americano pedindo que ele não aplique tarifas às empresas brasileiras”, declarou o senador nas redes sociais.

Apesar do pedido, Flávio afirmou que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conduzir as negociações diplomáticas para evitar a medida.

“É obrigação do Lula ir lá e resolver essa questão”, disse.

A manifestação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a imposição de tarifas de 25% sobre as importações. A proposta integra uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, instrumento utilizado para apurar práticas injustas por parceiros comerciais.

Segundo Flávio Bolsonaro, o tema foi tratado durante encontro com Trump na semana passada. O senador afirmou ter pedido diretamente ao presidente norte-americano que não ampliasse a carga tributária sobre empresas brasileiras.

“Além disso, eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula […] Então eu expliquei que não seria justo taxá-los ainda mais”, declarou.

O parlamentar também rebateu críticas do governo federal e afirmou que a investigação teve início antes de sua viagem aos Estados Unidos.

“Esse estudo, que foi divulgado agora, da chamada Sessão 301, englobou mais de 60 países, incluindo o Brasil, com uma investigação que começou em 2025, muito antes da minha visita aos Estados Unidos na semana passada”, afirmou. Veja o vídeo abaixo:

O documento divulgado pela USTR propõe tarifas com exceções para mercadorias sujeitas às tarifas de segurança nacional. Entre os itens que podem ficar fora das medidas estão carne bovina, café, determinadas frutas, especiarias, petróleo e minérios metálicos.

Segundo o órgão, a proposta está relacionada a políticas sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Em nota, o governo brasileiro manifestou “indignação” com a recomendação da USTR e associou a investigação à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos.

“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, afirmou o governo federal.

O Planalto sustenta que as medidas possuem motivação política e podem causar prejuízos à economia, ao emprego e à renda. Ainda assim, o governo espera que a recomendação não seja convertida e informou que adotará medidas para minimizar eventuais impactos.

Antes de qualquer decisão, o governo norte-americano realizará uma audiência prevista para 6 de julho. A definição sobre medidas corretivas deverá ocorrer até 15 de julho.

Lucas Soares

APOIO INTERNACIONAL

Trump elogia Flávio: ‘Jovem inteligente que ama muito seu País’

Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto: Redes Sociais/@flaviobolsonaro).


Senador participou de encontro que antecedeu decisão dos EUA sobre facções brasileiras


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta terça-feira (2) o encontro realizado com o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca, em Washington.

Em publicação, nas redes sociais, Trump afirmou: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — Um jovem inteligente que ama muito seu País, o Brasil!”. Veja na íntegra a postagem, onde o estadunidense compartilha fotos ao lado do parlamentar.

Em resposta, Flávio agradeceu o apoio recebido:

“Agradeço ao Presidente Donald Trump pelas palavras respeitosas! O Brasil terá, muito em breve, um presidente da República que combaterá, verdadeiramente, as organizações terroristas brasileiras e devolverá a soberania a mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por eles. Brasil e Estados Unidos voltarão a ter uma relação de alto nível e de longo prazo, com direito ao maior acordo comercial de investimentos da nossa história! Em vez da tarifa do Lula, teremos enxurrada de investimentos, para o bem de nossas nações!”

A declaração ocorre após a reunião realizada na semana anterior, na terça-feira (26), entre Flávio Bolsonaro e o presidente norte-americano, também na Casa Branca. O encontro contou ainda com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo.

Segundo relato de Eduardo Bolsonaro, durante a reunião, Trump teria demonstrado preocupação com o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, questionando inicialmente o senador sobre a condição do pai.

Na agenda diplomática relacionada ao encontro, o senador Flávio Bolsonaro também afirmou ter participado de articulações que resultaram em um movimento do governo norte-americano envolvendo a classificação de facções criminosas brasileiras.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também se encontrou com Flávio, manifestou apoio à inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em uma lista de organizações terroristas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que pretende enquadrar as duas facções como organizações terroristas, com entrada em vigor prevista para o dia 5 de junho.

A decisão foi divulgada um dia após a reunião entre Flávio Bolsonaro e o chefe da diplomacia norte-americana.

Mael Vale

O DESESPERO DE LULA

Lula sugere enforcar filhos de Bolsonaro, que chama de ‘traidores’

Lula (PT) defende enforcar filhos de Bolsonaro que chama de 'traidores'. Foto: Captura/TV Gov/YouTube

Petista chama Flávio e Eduardo Bolsonaro de 'vendilhões da pátria' por supostamente pedirem 'intromissão' dos EUA no Brasil e defende enforcamento


Em mais um evento-palanque, desta vez em Catalão (GO), o presidente Lula (PT) defendeu enforcar os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista chamou Flávio e Eduardo Bolsonaro de “vendilhões da pátria” e “traidores” e disse que traidores merecem ser enforcados. Veja abaixo o vídeo do momento que Lula defende enforcar seus opositores.

“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado, o que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país”, afirmou o pré-candidato do PT à reeleição.

O petista reagia à notícia de que o governo dos Estados Unidos decidiu aplicar uma nova série de tarifas contra o Brasil, após a conclusão das investigações da Seção 301 do Representante do Comércio dos EUA (USTR), espécie de Ministério do Comércio americano. Ele atribuiu a decisão do governo a um suposto pedido de Flávio e Eduardo Bolsonaro, que negam qualquer defesa de punições à economia brasileira.

A seção 301 do USTR autoriza o órgão a investigar e responder a práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias de outros países. A investigação contra o Brasil foi aberta quase um ano atrás. Entre ontem e hoje USTR anunciou o resultado da investigação que concluiu práticas injustas por parte do Brasil.

Defesa da violência

A defesa do uso de violência contra opositores políticos provocou outras reações imediatas. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já informou que vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lula por ameaças e incitação à violência.

Já o líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), disse que o presidente demonstra ódio, cólera e desespero.

“Lula chama os outros de “vendilhões da pátria” enquanto demonstra ódio, cólera e desespero político. Vendilhão da pátria é quem passa pano para Hamas e Hezbollah, relativiza o terror e se solidariza com facções criminosas. É quem usou o BNDES para financiar ditaduras amigas e mobiliza estrutura pública para resgatar condenada por corrupção no exterior por afinidade ideológica”, afirmou Marinho nas redes sociais.

O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) chamou o episódio de gravíssimo e inaceitável. “Lula estaria incitando um atentado contra os filhos de Bolsonaro? Ou fazendo uma ameaça de morte velada? Isso é muito grave! Um presidente da República fazer esse tipo de discurso é inaceitável”, publicou no X.

Erro factual e histórico

Para piorar, Lula também errou ao dizer que Reis foi enforcado, quando quem foi condenado à forca foi Tiradentes e não Reis, que acabou perdoado pela Coroa portuguesa.

Veja abaixo o momento que Lula defende enforcar seus opositores.

Tiago Vasconcelos

ATAQUE DE TUBARÃO EM PERNAMBUCO

Pesquisadoras explicam condições que contribuíram para incidentes com tubarões no Grande Recife

Para a pesquisadora Alessandra Fischer, a ocorrência de dois episódios em sequência pode estar relacionada a um conjunto de condições ambientais (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)

Influência das marés é um elemento importante porque permite que animais de grande porte se aproximem mais da faixa costeira, ampliando a área compartilhada entre banhistas e tubarões


Os dois incidentes com tubarões registrados em pouco mais de 24 horas no litoral do Grande Recife chamaram a atenção de banhistas para os fatores ambientais que favorecem a aproximação entre esses animais e os seres humanos. Em ambos os casos, são observados fenômenos em comum que contribuíram para as ocorrências.

No domingo (31), um menino de 11 anos foi mordido por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A vítima sofreu lesões graves na perna, no quadril e na mão esquerda e precisou passar por amputação do membro inferior. Menos de um dia depois, na segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos foi atacada na Praia de Boa Viagem, no Recife. Ela chegou ao Hospital da Restauração (HR) com amputação traumática da perna direita na altura da coxa.

Apesar da proximidade temporal entre os casos, as análises do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) indicam que os ataques foram provocados por espécies diferentes. O incidente de Piedade foi atribuído a um tubarão-cabeça-chata, enquanto o de Boa Viagem teve características compatíveis com um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento.

Para Alessandra Fischer, pesquisadora do Laboratório de Etologia Pesqueira e do Núcleo de Ecologia Aquática (NEA) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do Projeto Ecotuba, a ocorrência de dois episódios em sequência pode estar relacionada a um conjunto de condições ambientais que tradicionalmente são observadas pelos pesquisadores quando analisam incidentes com tubarões no estado.

“Nós acreditamos que, mais uma vez, alguns fatores que sempre destacamos podem ter contribuído para esses incidentes. A lua estava em fase de crescimento, o que influencia as marés, tornando-as mais altas e aumentando o volume de água próximo à costa. Isso pode favorecer o encontro entre pessoas e tubarões”, explica.

Segundo a pesquisadora, a influência das marés é um elemento importante porque permite que animais de grande porte se aproximem mais da faixa costeira, ampliando a área compartilhada entre banhistas e tubarões.

Outro fator apontado por ela foi a condição da água nos dias que antecederam os incidentes. “No primeiro caso, por exemplo, havia chovido no dia anterior, deixando a água mais turva. Essa condição também pode contribuir para uma confusão por parte do animal no momento em que ele investiga o que está à sua frente”, destaca.

A redução da visibilidade é considerada um dos elementos mais importantes para a ocorrência de mordidas. Em águas turvas, o tubarão depende mais de outros sentidos para identificar potenciais presas e objetos em movimento. Nessas circunstâncias, a chance de um contato exploratório aumenta. “Portanto, acreditamos que a combinação dessas características ambientais pode ter influenciado a ocorrência desses dois incidentes em sequência”, acrescenta.

"“O tubarão não ataca o ser humano de forma intencional. Ele não vai naquela intenção de se alimentar. Por isso, usamos o termo ‘incidente’, porque, de fato, trata-se de uma situação que não é esperada", frisa a pesquisadora do projeto Ecotuba, Camila Vilarim.

Os dois casos aconteceram em praias inseridas na área de maior incidência de ataques de tubarão em Pernambuco. Desde o início do monitoramento oficial, em 1992, o estado acumula 84 registros de incidentes. A maior parte deles ocorreu nas praias urbanas do Grande Recife.

A região reúne características ambientais consideradas favoráveis à circulação de tubarões, como a proximidade de estuários, canais e desembocaduras de rios. Além disso, a combinação de marés elevadas e correntes costeiras cria um ambiente frequentemente utilizado por espécies como o cabeça-chata e o tubarão-tigre.

Os dois animais identificados pelo Cemit figuram entre as espécies mais associadas aos incidentes registrados em Pernambuco ao longo das últimas décadas. O cabeça-chata possui grande capacidade de utilizar áreas costeiras rasas e estuarinas, enquanto o tubarão-tigre é um predador de grande porte que circula regularmente pelo litoral pernambucano.

Como reduzir os riscos

A prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar novos incidentes. As recomendações incluem evitar entrar no mar em locais sinalizados como áreas de risco, respeitar as orientações dos guarda-vidas, não tomar banho próximo a canais e desembocaduras de rios, evitar atividades aquáticas durante marés altas e redobrar a atenção após períodos de chuva, quando a água tende a ficar mais turva.

Essas orientações fazem parte das campanhas educativas desenvolvidas há anos por pesquisadores e órgãos de monitoramento em Pernambuco.

Adelmo Lucena


METRÔ DO RECIFE

CBTU: reforma do Ramal Camaragibe do Metrô do Recife começa na próxima segunda (8)

Metrô do Recife passa por troca de trilhos (Nivaldo Fran/Arquivo DP)


Com previsão de seis meses, reforma do ramal do Metrô do Recife prevê a troca de todos os dormentes, peça transversal que garante segurança e estabilidade dos trilhos, no trecho entre as estações Camaragibe e o TIP


A CBTU Recife informou, nesta terça-feira (2), que a partir da próxima segunda (8) o Ramal Camaragibe passará por reforma da via com a troca de todos os dormentes no trecho entre as estações Camaragibe e o TIP.

Os dormentes são peças transversais, sob os trilhos, mantendo-os na distância correta e garantindo segurança e estabilidade dos trens ao longo da via.

A previsão é o serviço seja concluído em seis meses.

Durante este período, os trens deste ramal trafegarão em via singela (quando somente uma via é utilizada pelos trens nos dois sentidos), das 5h às 23h de todos os dias da semana.

Os usuários devem ficar atentos para o aumento nos intervalos entre os trens, que ficará em torno de 30 minutos. A partir das 20h30, o intervalo entre os trens será de 45 minutos.

Segundo a CBTU, após a conclusão do serviço haverá o aumento na velocidade dos trens neste trecho, com consequente diminuição nos intervalos atuais e aumento da capacidade de transporte de usuários.

DP

ATAQUE DE TUBARÃO

Justiça nega indenização para vítima de mordida de tubarão em Jaboatão: "Assumiu o risco"

Jovem nadava em área permitida para banho. (Foto: Reprodução)

Kaylanne Timóteo, que perdeu o braço após incidente em 2023, alegou omissão do Estado de Pernambuco e da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes


O Gabinete da Central de Agilização Processual, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), julgou improcedente o pedido de indenização feito por Kaylanne Timóteo Freitas, que perdeu o braço após mordida de tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. A autora da ação pedia indenizações por danos morais, estéticos e materiais alegando que houve omissão dos entes públicos no episódio.

O caso ocorreu em março de 2023, quando Kaylanne tinha 15 anos. Ela nadava em área permitida, no trecho do Golden Beach, próximo da Igrejinha, quando ocorreu o ataque, que resultou na amputação de seu braço esquerdo.

No processo, ela alega que houve omissão do Estado de Pernambuco e da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes na sinalização adequada e na manutenção de políticas de monitoramento e prevenção de ataques, citando a descontinuação do Programa de Monitoramento de Tubarões do Recife (Protuba) em 2014.

"Nossa tese é no sentido de que o Estado teria culpa sim, porque não está cumprindo a legislação do próprio estado. Existe decreto determinando que é obrigação do Estado e também do município de prestar todos os serviços de monitoramento", diz o advogado Marcos Mendes, que representa Kaylanne no processo.

O advogado afirma que não havia placas proibindo banho no local. "Inclusive, existiam diversas pessoas lá no momento do ataque", diz.

Segundo Mendes, o programa de monitoramento acompanhava os movimentos dos tubarões, o que resultava em instalação de placas quando os animais frequentavam novas áreas. "Se tivessem continuado o serviço, provavelmente não se poderia mais tomar banho ali naquela época", reflete.

Defesas

O Estado de Pernambuco argumentou nos autos a inexistência de responsabilidade civil por omissão, sustentando que "o risco de ataques na região é fato notório" e que "a sinalização de advertência estava presente nos acessos à praia". O Estado defendeu a tese de culpa exclusiva da vítima.

Já a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes declarou ausência de nexo causal, classificando o caso como "fortuito da natureza, impossível de ser evitado pelo ente municipal".

Sentença

Na sentença, assinada em 18 de janeiro deste ano, a juíza Juliana Rodrigues Barbosa concorda que o risco de ataques no litoral do Grande Recife é fato de conhecimento geral. "Há mais de 30 anos a população tem ciência da periculosidade de certas áreas", escreve.

A juíza cita ofício do Corpo de Bombeiros anexado aos autos que confirmaria a existência de placas de sinalização nas ruas de acesso à praia onde ocorreu o incidente. "A alegação de que não havia placa exatamente na frente do local onde a autora entrou na água não socorre a pretensão, pois o dever de informação do Estado é cumprido mediante a sinalização geral e educativa da orla", afirma Barbosa.

Ela também ressalta que a interdição de um trecho específico por decreto municipal não implica que áreas adjacentes sejam zonas de segurança absoluta garantidas pelo Poder Público.

"O oceano é um habitat natural de animais selvagens e o Estado não atua como segurador universal contra riscos inerentes à natureza", complementa a magistrada.

Ela também diz não haver nexo de causalidade direto entre a interrupção de um projeto específico e a mordida de um animal.

"Ao optar pelo banho de mar em área de risco notório, a vítima assumiu o risco do resultado, rompendo o nexo causal com qualquer suposta omissão estatal", assinala na sentença.

A defesa de Kaylanne já recorreu ao TJPE

. "A gente entendia que na primeira instância seria difícil conseguir, inclusive no Tribunal também não é fácil reverter. Nós temos esperança de conseguir uma decisão positiva quando chegar ao STJ [Superior Tribunal de Justiça], em Brasília, porque aí já sai de questões estaduais", diz o advogado.

Kaylanne se tornou atleta após o ocorrido, participando de competições paralímpicas escolares e também de alto rendimento.

Em 2025, ela esteve na etapa do Recife do Meeting Paralímpico, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em que participou de arremesso de peso e lançamento de disco.

 Jorge Cosme

SANTA CRUZ - SAF TRICOLOR

Do prejuízo milionário ao fundo bilionário: o retorno de Vinícius Diniz à SAF do Santa Cruz

Vinícius Diniz, investidor da SAF do Santa Cruz (Reprodução/Redes Sociais)

A volta dos que não foram: Diniz retorna ao Santa Cruz com rombo no passado e grife no presente


Fazendo jus à expressão “a volta dos que não foram”, o empresário Vinícius Diniz retorna à Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santa Cruz. Sua primeira passagem pelo Arruda deixou impactos financeiros significativos no clube, com altos investimentos em jogadores medalhões, que ostentavam vencimentos elevados, mas entregavam pouco retorno em campo, acabou sufocando o caixa tricolor. 

Nesse intervalo após a saída da Cobra Coral, sua trajetória também foi marcada por controvérsias, incluindo o impasse em Minas Gerais envolvendo negociações com a SAF do América-MG. Após esse período, Diniz volta ao Tricolor do Arruda buscando reconstruir sua imagem, agora com uma nova proposta, em meio à desconfiança da torcida.

O prejuízo milionário no Santa Cruz

Convidado a participar do projeto inicial da SAF pelo grupo Cobra Coral Participações S/A, Vinícius Diniz era o "homem do futebol", o único entre os acionistas com experiência na bola, já que os demais vinham do mercado de capitais. No entanto, sua gestão do vestiário na Série D deixou um rastro de prejuízos profundos.

Foi com o aval de Diniz que o Santa Cruz firmou contratos longos e com cifras elevadas para atletas veteranos que não entregaram o rendimento esperado. A conta chegou na Justiça.

Thiago Galhardo:

O centroavante acionou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) cobrando mais de R$ 3 milhões por salários atrasados para rescindir o contrato.

Felipe Alves:

O goleiro, que recebeu um polêmico contrato de quatro anos, jogou pouco e acionou o clube judicialmente cobrando cerca de R$ 7 milhões.

Alegando um clima político "insanável" e ameaças a dirigentes pela constituição da SAF, Diniz rompeu com os sócios e anunciou sua saída pelas redes sociais.

O problema no América-MG

A negociação entre o América-MG e o grupo ligado a Vinícius Diniz não avançou após uma série de divergências em relação ao modelo de gestão e investimento proposto para a SAF. O clube mineiro avaliou que o plano apresentado não oferecia garantias consideradas suficientes de aporte financeiro no futebol, especialmente no curto prazo, o que gerou preocupação quanto ao impacto esportivo.

Além disso, alguns pontos do contrato foram vistos como restritivos para a autonomia administrativa do clube, incluindo cláusulas que poderiam limitar decisões estratégicas importantes dentro da gestão diária e do planejamento esportivo.

Outro fator que pesou negativamente foi a falta de alinhamento completo sobre a estrutura de governança da futura SAF, já que o América buscava maior clareza e segurança sobre o papel de cada parte na condução do projeto. Diante desse cenário de incertezas e da ausência de consenso entre as partes sobre aspectos considerados essenciais para a continuidade da negociação, o clube optou por não avançar com o acordo naquele formato, encerrando as tratativas de forma amigável.

O retorno com "caras novas" no Arruda

Livre dos compromissos em Minas Gerais, Diniz rapidamente redirecionou o foco para o Recife. Ciente da desconfiança da torcida pelos erros do passado, o investidor costurou uma nova proposta para assumir as ações do Santa Cruz, desta vez blindado por duas figuras no mercado.

Thairo Arruda (Gestão):

O executivo assume o protagonismo técnico do projeto. Ele chega chancelado pelo trabalho como CEO do Botafogo, onde liderou a gestão que culminou nos títulos da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro. O profissional deixou o clube carioca no início da temporada.

Köli Capital (Dinheiro):

A segurança financeira que faltava no primeiro ensaio agora é garantida por esta gestora carioca, liderada pelo empresário Elias Weber, que gerencia ativos superiores a R$ 1,5 bilhão.

O memorando de intenções entre o Santa Cruz e o novo grupo já está assinado e o processo encontra-se na fase de due diligence (auditoria jurídica e contábil). Para a torcida coral, o projeto caminha em uma linha tênue entre a insegurança pelo histórico de Diniz e o otimismo injetado pelas novas caras que agora comandam o dinheiro e o futebol do clube.

Paulo Mota

SPORT - LESÃO CONFIRMADA

Sport confirma lesão de Clayson e amplia desfalques no ataque

 Clayson, atacante do Sport (Paulo Paiva/SCR)

Exames apontaram lesão de grau 2 no bíceps femoral; atacante deixou o campo ainda no primeiro tempo da vitória sobre o Náutico


O Sport confirmou nesta terça-feira (2) que o atacante Clayson sofreu uma lesão de grau 2 no bíceps femoral e já iniciou tratamento junto ao Departamento Médico.

O problema físico foi constatado após exames realizados pelo jogador, que deixou o campo ainda no primeiro tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Náutico, no último sábado (30), pela 11ª rodada da Série B. Aos 42 minutos da etapa inicial, Clayson caiu no gramado sentindo dores musculares e precisou ser substituído por Iury Castilho.

A lesão representa uma baixa importante para o técnico Márcio Goiano justamente em um momento de consolidação da equipe na liderança da competição. Titular nos últimos compromissos, Clayson vinha sendo peça utilizada no setor ofensivo leonino.

Sem Clayson à disposição, o treinador precisará buscar alternativas para montar o ataque no próximo compromisso do Sport. O Leão volta a campo apenas no dia 10 de junho, quando recebe o Athletic-MG, às 21h, na Ilha do Retiro, pela 12ª rodada da Série B.

O cenário, porém, é ainda mais delicado porque Iury Castilho, substituto natural do atacante, está suspenso e não poderá atuar diante dos mineiros.

Dessa forma, Márcio Goiano deve recorrer a outras opções do elenco. Gustavo Maia e Micael aparecem como alternativas para ocupar a vaga no setor ofensivo, enquanto a comissão técnica acompanha a recuperação de Marlon Douglas.

O atacante segue em tratamento de uma lesão muscular de grau 2 na coxa direita, sofrida na derrota para o CRB, no dia 17 de maio, na Ilha do Retiro. A expectativa do Sport é contar com a evolução do jogador nos próximos dias para ampliar as opções ofensivas da equipe.

Líder da Série B com 22 pontos, o Sport terá mais de uma semana de preparação até o duelo contra o Athletic-MG, período que será importante para Márcio Goiano encontrar soluções e reorganizar o ataque rubro-negro diante das ausências.

Gabriel Farias

terça-feira, 2 de junho de 2026

NÁUTICO - CEARÁ QUER HÉLIO DOS ANJOS

Ceará demonstra interesse na contratação de Hélio dos Anjos, do Náutico

Hélio dos Anjos, treinador do Náutico (Michael Douglas /CNC)


Neste momento, uma saída do comandante do Náutico é vista como improvável


Ativo no mercado após demitir o técnico Mozart Santos, o Ceará demonstrou interesse na contratação de Hélio dos Anjos, do Náutico. O Vozão teria colocado o comandante alvirrubro como um dos seus principais alvos para ser o próximo técnico, mas sem negociações mais avançadas. A informação foi dada inicialmente pelo Diário do Nordeste.

Neste momento, uma eventual saída da atual comissão técnica do Timbu é vista como improvável. Ainda segundo a publicação da mídia cearense, outros nomes estão na pauta da diretoria do Ceará, que deve evoluir por um acerto nos próximos dias.

Apesar da derrota recente no clássico contra o Sport, Hélio dos Anjos, juntamente com seu filho Guilherme, ainda vive situação de grande estabilidade nos Aflitos, conquistando resultados dentro de campo e possuindo respaldo da diretoria após mais de um ano de trabalho.

Responsáveis principais pelo planejamento do futebol alvirrubro, os comandantes vivem uma situação de autonomia que foge ao contexto do futebol brasileiro, sobretudo diante da alta rotatividade de treinadores na Série B.

Caio Antunes

NOVO TARIFAÇO

EUA propõem tarifas de até 25% contra produtos brasileiros

Foto: Ibama/Arquivo.

A avaliação que culminou na decisão foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974


O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos decidiu na madrugada desta terça-feira (2) impor novas tarifas a produtos brasileiros após uma investigação de supostas práticas “irracionais” que geram grandes custos ao governo americano.

Diante do novo “tarifaço”, o departamento afirmou que as tarifas contra os produtos podem chegar a 25%.

A avaliação que culminou na decisão foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O governo americano abriu uma consulta pública para discutir possíveis medidas corretivas, enquanto mantém negociações com o governo brasileiro. A proposta da USTR é aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias do Brasil, com algumas isenções.

De acordo com o embaixador Jamieson Greer, mesmo após a visita de Lula (PT) aos Estados Unidos e tratativas contra as tarifas, ainda existem pendências importantes sobre os temas nos quais o governo americano está investigando.

Veja os questionamentos do governo americano (EUA):

Comércio digital e serviços de pagamento

Os EUA alegam que decisões da Justiça brasileira contra plataformas americanas de redes sociais restringem atividades dessas empresas e afetam a liberdade de operação no país. O relatório também critica políticas que, segundo o governo americano, favorecem concorrentes locais em serviços de pagamento eletrônico.

Tarifas preferenciais

O USTR afirma que acordos comerciais do Brasil com México e Índia concedem vantagens tarifárias a produtos desses países em setores considerados estratégicos.

Combate à corrupção

O documento sustenta que o Brasil não adota medidas suficientes para prevenir e combater casos de suborno e corrupção.

Propriedade intelectual

Os Estados Unidos apontam falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos, além de demora na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.

Mercado de etanol

Segundo o relatório, o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equivalente ao etanol americano desde 2017, o que teria reduzido o acesso do produto dos EUA ao mercado brasileiro.

Desmatamento ilegal

O governo americano reconhece que o Brasil possui legislação para combater o desmatamento ilegal, mas afirma que a aplicação das normas não tem sido suficientemente eficaz para conter o problema.

As autoridades brasileiras têm até o dia 6 de junho para levar as alegações que condenam as determinações. Diante das representações, o governo de Donald Trump irá decidir se toma as medidas com o governo brasileiro.

A decisão final sobre as medidas deve ser tomada até o dia 15 de julho.

Luan Carlos