Recife é a 89ª cidade mais vulnerável a ondas de calor no mundo, diz estudo da Oxford
Recife tem aproximadamente 660 áreas de lazer, entre parques, praças e áreas verdes. (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
O artigo científico da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mapeou 205 cidades vulneráveis a ondas de calor ao redor do mundo e apontou Recife como a 89° no ranking
Recife é a 89ª cidade mais vulnerável a ondas de calor no mundo. É o que aponta um artigo científico da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que mapeou 205 municípios ao redor do mundo ameaçados pelo calor iminente do aquecimento global.
O Estudo “Indo além da exposição: uma estrutura globalmente comparável para a avaliação do risco de calor em cidades”, publicado em maio, relaciona a vulnerabilidade e a capacidade de enfrentamento ao calor extremo com a capacidade econômica, estrutura demográfica e fatores infraestruturais de municípios com mais de um milhão de habitantes.
Ao todo, são 11 cidades brasileiras citadas na publicação, que coloca Recife como a oitava no Brasil com maior vulnerabilidade a ondas de calor. Manaus é a primeira entre as canarinhas e a 27ª mais ameaçada no mundo.
“O risco de calor nas cidades vai além dos extremos climáticos e é mediado por vulnerabilidades sociais e capacidades infraestruturais que determinam como as populações vivenciam e reagem ao calor”, destaca o texto.
Entre as cidades brasileiras presentes no levantamento, Recife aparece atrás de Manaus (27ª posição mundial), Goiânia (46ª), Belo Horizonte (66ª), Fortaleza (67ª), São Paulo (77ª), Rio de Janeiro (83ª) e Brasília (88ª), mas à frente de Porto Alegre (120ª) e Salvador (129ª).
A pesquisa da Universidade de Oxford buscou medir o risco associado às ondas de calor a partir da combinação de fatores climáticos, sociais e estruturais. Os pesquisadores utilizaram indicadores relacionados à densidade populacional, proporção de idosos e crianças, renda, cobertura vegetal, cobertura arbórea e acesso a mecanismos de resfriamento.
Segundo os autores, cidades com temperaturas semelhantes podem apresentar níveis de risco diferentes em razão das condições socioeconômicas da população e da capacidade da infraestrutura urbana de reduzir os impactos do calor extremo.
No caso do Recife, a cidade registrou índice de risco de 0,52 em uma escala que varia de zero a um. O resultado colocou a capital pernambucana na faixa intermediária do ranking global, acima de cidades como Santiago, no Chile, Cidade do México e Buenos Aires, mas abaixo de centros urbanos do Sul da Ásia, da África e do Oriente Médio que concentram os maiores níveis de vulnerabilidade.
O estudo destaca que a capacidade de enfrentamento é um dos principais componentes para reduzir os riscos associados ao calor. Entre os indicadores utilizados para medir esse aspecto estão a presença de cobertura vegetal, a quantidade de árvores e o custo da energia elétrica, considerado pelos pesquisadores um fator que influencia o acesso da população a equipamentos de refrigeração.
Das 205 cidades avaliadas, mais de 95% das que compõem o grupo de risco mais elevado estão localizadas na África Subsaariana e no Sul da Ásia. A concentração, segundo os autores, é motivada pelas altas temperaturas, crescimento populacional acelerado, limitações de infraestrutura e menor capacidade de adaptação aos eventos extremos.
As primeiras posições do ranking são ocupadas por Hyderabad, no Paquistão, Al Basrah, no Iraque, Kano, na Nigéria, Conakry, na Guiné, e Bamako, no Mali. Todas registraram índices de risco superiores a 0,83, bem acima do observado para as cidades brasileiras.
A pesquisa destaca que os resultados mostram a necessidade de incorporar estratégias de adaptação ao calor nos planejamentos urbanos. Entre as medidas apontadas na literatura científica estão a ampliação da arborização, a preservação de áreas verdes, a criação de espaços públicos sombreados e o fortalecimento de sistemas de alerta para eventos de calor extremo.
Adelmo Lucena e Nicolle Gomes