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sábado, 13 de junho de 2026

O DESESPERO DA ESQUERDA COM O FILME DE JAIR BOLSONARO

TSE rejeita pedido para vetar Dark Horse durante as eleições

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



Ministro Nunes Marques rejeitou a ação por uma questão processual



O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, rejeitou, nesta sexta-feira (12), um pedido para impedir o lançamento do filme Dark Horse. A produção retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e foi questionada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) e pelo Grupo Prerrogativas.

Os autores do pedido afirmavam que o filme poderia beneficiar politicamente o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O lançamento do longa está previsto para setembro de 2026, às vésperas do primeiro turno das eleições.

A ação apontava risco de uso eleitoral do filme em cinemas e redes sociais. Também questionava o financiamento feito por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob argumento de que a disputa não pode ser influenciada por investimentos fora da contabilidade da campanha.

Nunes Marques não avaliou o mérito das acusações e rejeitou a ação por uma questão processual. O ministro concluiu que o deputado federal não tinha legitimidade jurídica para apresentar o pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral nesse caso específico.

Segundo o presidente do TSE, a jurisprudência exige que, para questionar a propaganda de um candidato, o autor da ação dispute a eleição na mesma circunscrição.

— No presente caso, os representantes não disputam eleição na circunscrição nacional, tendo em vista que Rogério Correia de Moura Baptista é deputado federal e pré-candidato ao mesmo cargo apenas no estado de Minas Gerais, ao passo que Marco Aurélio de Carvalho, advogado, sequer alegou pretensão de concorrer nas Eleições 2026 — declarou o ministro.

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para o dia 4 de outubro. O segundo turno, caso necessário, acontecerá no dia 25 de outubro.

Kleber Pizão

FILME SOBRE JAIR BOLSONARO

Dark Horse: Produtora declara gasto de R$ 75 milhões em filme

Jim Caviezel em Dark Horse Foto: Reprodução melhorada com IA



Filme teve financiamento privado


A produtora Go Up Entertainment informou que a cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, teve custo de 13,3 milhões de dólares (cerca de R$ 75 milhões). A informação consta em uma perícia privada anexada ao processo que investiga suposto desvio de recursos de um contrato de R$ 108 milhões entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo.

O relatório foi contratado pela própria produtora e aponta que os recursos usados na produção tiveram origem privada. A representante do ICB, Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up, foi alvo de uma operação da Polícia Civil realizada no último dia 1º de junho.

Segundo o documento, os gastos somam R$ 54,2 milhões nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. O filme foi gravado em cidades brasileiras, incluindo São Paulo, e conta com atores americanos, entre eles Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro.

A perícia também informa que o orçamento inicial aprovado para a obra era de 16 milhões de dólares (aproximadamente R$ 89,7 milhões). O valor é inferior aos 24 milhões de dólares (cerca de R$ 136 milhões) que, segundo reportagem do site The Intercept Brasil, teriam sido discutidos em negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.

A publicação cita conversas nas quais eram debatidas formas de pagamento para o filme, incluindo um plano que previa 14 parcelas. Mais tarde, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem de áudio a Vorcaro demonstrando preocupação com atrasos nos repasses.

– Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né? – disse o senador no áudio a Vorcaro. – Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim – completou.

Flávio Bolsonaro confirmou a autenticidade da gravação, mas afirmou que os pagamentos feitos por Vorcaro ocorreram de forma legal e sem contrapartidas. Segundo a reportagem, o valor efetivamente repassado ao projeto por meio da empresa Entrepay foi de 10,6 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões).

No relatório apresentado pela Go Up, as despesas foram divididas entre desenvolvimento do projeto, pré-produção, produção, filmagens e pós-produção realizadas nos Estados Unidos e no Brasil.

De acordo com a perícia, até 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fund LP havia enviado 13,3 milhões de dólares (R$ 75,3 milhões) para o filme. Os recursos utilizados no Brasil foram recebidos em uma conta do Banco do Brasil, sendo a maior parte, R$ 18,4 milhões, transferida via Pix.

– Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise – afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI). As informações são do Metrópoles.

Pleno.News

LULA CONTINUA COM MEDO DE ENCARAR TRUMP

Governo Lula não vê razão para pedir reunião formal com Trump

Presidente Trump e Lula, em encontro na Casa Branca Fotos: Ricardo Stuckert / PR



Presidentes participarão da reunião do G7, na França



Integrantes do governo brasileiro afirmam que um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, somente ocorrerá no G7, na França, de maneira informal, sem espaço para discussões substantivas

Segundo conselheiros do presidente brasileiro, até esta sexta-feira (12) não houve um pedido de encontro por parte do Palácio do Planalto, tampouco da Casa Branca, para que eles voltem a se reunir.

O governo Lula não enxerga espaço para discutir temas conflitantes da agenda bilateral na reunião do G7, nem para reverter a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas ou bloquear a proposta dupla de novo tarifaço sobre exportações com base na Seção 301, um de 25% por supostas práticas desleais e outra de 12,5%, relacionada ao trabalho forçado.

O governo não vê sentido ou motivação política para uma nova interação agora e descarta que Trump possa mudar de rota de decisões de governo discutidas há meses e recentemente oficializadas, apenas por uma conversa dos dois líderes.

Segundo um conselheiro do presidente, não seria realista contar com essa mudança e não existe necessidade de uma reunião agora. Ele diz que seria uma desmoralização para Trump retirar a designação das facções e que Lula não pode agora “suplicar” por uma revisão, mas continuar a cooperação técnica entre polícias e estruturas de segurança pública.

Além disso, o prazo administrativo estabelecido pelo Representante Comercial da Casa Branca (USTR) para negociações vai até 15 de julho e continuam em andamento contatos comerciais em nível técnico. Por isso, o Palácio do Planalto entende que Trump responderia apenas que vai aguardar o fim das tratativas comerciais.

Uma nova reunião política de status ministerial, entre o ministro Márcio Elias Rosa (Mdic) e o embaixador Jamieson Greer (USTR), estava prevista para esta semana e deve ocorrer em breve para discutir setores e tarifas.

Segundo integrantes do governo, até agora não houve uma decisão de discutir tarifas específicas, como a do etanol, cujas lideranças se reuniram com Lula nesta semana. Nas reuniões anteriores, o governo indicou áreas em que poderia negociar a tarifa

O governo brasileiro nega, por isso, que tenha tomado providências para antecipar a viagem do presidente para o dia 14, a fim de encontrar Trump. O petista deve chegar à França na tarde do dia 15.

A Presidência da República diz que a chegada de Trump, estimada pela organização francesa, deve ser ocorrer após a do próprio Lula, no dia 15 à noite – o republicano celebra aniversário no dia 14.

O que pode ocorrer em Évian-les-Bains, cidade dos alpes que sedia o G7, é apenas uma espécie de “trombada” nos corredores ou na sala das reuniões de líderes, porque ambos devem compartilhar o mesmo ambiente, segundo diplomatas.

Seria algo como ocorreu na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), os “39 segundos” de “química” nos bastidores reservados aos chefes de Estado, e não uma reunião de trabalho com equipes ministeriais, como a recente visita do petista à Casa Branca, em Washington, ou ainda a reunião realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, no ano passado.

Nesses dois encontros prévios, houve discussão detida sobre assuntos e inclusive troca de documentos e propostas dos dois lados, além de acerto de métodos e prazos para discussões de interesses da pauta bilateral.

Lula vai ter reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Há mais quatro encontros em avaliação, entre eles, com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e com os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e António Costa (Conselho Europeu).

Com os europeus, Lula vai falar sobre a preocupação e pressionar por uma revisão da exclusão do Brasil como exportador de carne e produtos de origem animal ao mercado do bloco.

Com Japão e Canadá, o governo pretende discutir assuntos comerciais ligados ao Mercosul. O objetivo é formalizar o lançamento de uma negociação de acordo de comércio Japão-Mercosul e manter contato com vistas à conclusão das negociações do acordo Canadá-Mercosul.

Lula também participará de um almoço, no âmbito do G7, com representantes das principais big techs e chefes de Estado e de governo. O petista vai falar da proposta de regulação no País e do Eca Digital.

DISCURSO OFICIAL

O presidente se prepara para fazer ao menos dois discursos públicos, em sessões de debate dos líderes sobre desequilíbrios macroeconômicos globais e parcerias globais para o desenvolvimento.

Neles, Lula vai falar contra tarifas e decisões unilaterais, entre elas guerras e intervenções militares, e falar da necessidade de reforma das instituições internacionais.

O discurso está sendo calibrado, mas responderá a ações do governo Trump, para não demonstrar “fraqueza política”. O governo entende que a resposta se justifica por causa da disputa pré-eleições e a campanha no exterior do pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Parte dos conselheiros do presidente recomendou que ele não use o mesmo tom mais agressivo que faz para o público interno no Brasil.

O presidente deve adotar a linguagem mais diplomática e falar contra o unilateralismo e o protecionismo.

*AE

STF DESMORALIZADO FORA DO BRASIL

Imagem de autoritarismo e parcialidade desmoraliza os pedidos do STF no exterior

Carla Zambelli passou quase 10 meses presa em Roma e teve extradição anulada. (Foto: EFE/Andre Borges)


Uma série de decisões judiciais no exterior em casos envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) impôs constrangimentos inéditos ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de partirem de sistemas jurídicos distintos, as decisões convergem em preocupações relacionadas à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à imparcialidade dos julgamentos da Corte brasileira.

O episódio mais incisivo e recente veio da Itália. A Corte de Cassação, a instância máxima do Judiciário, anulou a autorização de extradição de Carla Zambelli (PL-SP), determinando a revisão do caso e a libertação da ex-deputada. O tribunal entendeu que a análise anterior não enfrentou questionamentos da defesa dela sobre as garantias processuais e a imparcialidade judicial.

A exposição de motivos divulgada pela Corte italiana nesta quinta-feira (11) trouxe elemento sensível para o STF ao citar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes. Os magistrados registraram que a defesa de Carla apontou acúmulo de atribuições na condução do caso, observando que Moraes exerceu funções de vítima, relator, julgador e executor da pena, “em violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz”.

Presa desde julho de 2025 na Itália, Carla Zambelli foi solta no último dia 22. A decisão, contudo, não a absolve nem impede que ela seja extraditada futuramente.

Tramita em separado um segundo pedido do Brasil para extraditá-la, relacionado à condenação do STF por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no caso em que ela estava armada e perseguiu um homem nas ruas de São Paulo.

Em reação à decisão da Justiça italiana, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou em nota estar preocupado com os argumentos apresentados, garantindo que o julgamento de Carla Zambelli foi feito, segundo ele, com independência dos juízes e em acordo com a Constituição.

Negativa de pedidos pela Itália se junta às de EUA, Espanha e Argentina

A recusa italiana em levar adiante essa extradição se soma a outros casos, como o do jornalista Allan dos Santos, residente nos Estados Unidos desde 2020. Os pedidos brasileiros de extradição e difusão internacional acabaram esbarrando na interpretação das autoridades americanas de que os fatos investigados estão ligados predominantemente ao exercício da liberdade de expressão, protegida pela Primeira Emenda da Constituição daquele país.

Situação semelhante ocorreu também com o jornalista Oswaldo Eustáquio. A Justiça espanhola rejeitou em definitivo a extradição requerida pelo Brasil, acolhendo pareceres que apontaram natureza política nas acusações apresentadas. A decisão encerrou o procedimento no país europeu e passou a ser frequentemente citada por críticos da atuação do STF.

Na Argentina, outro embaraço surgiu com a concessão de refúgio político a um condenado pelos protestos do 8 de janeiro de 2023.

Embora os processos de extradição sigam tramitando em certos casos, o reconhecimento da condição de refugiado criou obstáculos jurídicos relevantes à execução de ordens de prisão expedidas por autoridades brasileiras.

Episódios desafiam a credibilidade da Justiça brasileira no plano externo

O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro tornou-se mais um teste para a credibilidade internacional das decisões da Justiça brasileira.

Investigado após o vazamento de mensagens ligadas ao chamado “Vaza Toga”, ele responde à ação penal no Brasil, mas permanece em liberdade na Itália, onde a Justiça recusou medidas cautelares mais severas enquanto examina o pedido de extradição.

No caso de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), asilado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, o cenário é diferente. O ex-deputado tornou-se réu no STF por coação no curso do processo após supostas articulações junto ao governo americano para pressionar autoridades brasileiras. O julgamento da ação penal foi pautado para 16 de junho pela Primeira Turma da Corte.

Apesar das pressões políticas de adversários para eventual extradição, o caso de Eduardo esbarra na inexistência de ordem de prisão e na dificuldade prática de obtenção de cooperação das autoridades americanas. A proximidade do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com integrantes da Casa Branca é vista como fator que reduz significativamente a viabilidade de medidas de repatriação compulsória.

Deportação frustrada de Ramagem foi outra derrota nas investidas do STF

Outro nome na lista de investidas de autoridades brasileiras para trazer aliados de Bolsonaro de volta ao país é Alexandre Ramagem. Condenado na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado foi detido por autoridades migratórias dos EUA após inclusão de informações enviadas pela Polícia Federal (PF) em sistemas de cooperação internacional.

A retenção, contudo, teve curta duração. Após análise preliminar do caso, as autoridades americanas o liberaram e permitiram sua permanência no país enquanto tramita o pedido de asilo apresentado por sua defesa.

Desde então, Ramagem segue em território americano na condição de solicitante de asilo, transformando-se em mais um episódio a revelar dificuldades do Brasil para obter respaldo internacional em processos de conteúdo político.

Além disso, o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que participou da operação para prender o ex-deputado em solo americano, foi expulso dos EUA. 

Paralelamente, Alexandre de Moraes enfrenta ação civil na Flórida (EUA) movida pela Trump Media e pela plataforma Rumble. As empresas alegam que determinações judiciais dele teriam produzido efeitos incompatíveis com garantias constitucionais americanas de liberdade de expressão. O governo brasileiro atua na defesa do ministro na Justiça americana.

Ausência de crime de opinião em países de refúgio dificulta extradições

Embora cada decisão tenha fundamentos próprios, cresce a percepção de analistas de que tribunais estrangeiros passaram a examinar com maior rigor os pedidos formulados por autoridades brasileiras em processos politicamente sensíveis. Para eles, não se trata mais de casos individuais, mas de um amplo fenômeno que prejudica a imagem do STF no exterior.

Para o professor de Direito Ricardo Peake Braga, as negativas de extradição sugerem que cortes estrangeiras enxergaram nos fatos investigados elementos ligados à manifestação de opinião e à liberdade de expressão, condutas que não encontram equivalência criminal nos ordenamentos jurídicos dos países escolhidos como refúgio.

Segundo ele, mesmo sem analisar a fundo cada decisão, também transparece a preocupação com o respeito ao juiz natural, à ampla defesa e às garantias de um julgamento imparcial. Assim, a sucessão de reveses internacionais respalda o discurso de críticos ao ativismo do STF e estimula o debate sobre os limites da atuação judicial em democracias.

Especialista vê fundamentos robustos contra pedidos do STF

Para a professora de Direito Constitucional Vera Chemim, há “razões lógicas, racionais e, sobretudo, legais” para a justiça italiana negar a extradição de Carla Zambelli.

Segundo ela, foi um julgamento “eivado de ranços processuais”, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes é ao mesmo tempo vítima, juiz que participou da fase investigatória, da fase de instrução criminal, a partir do recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e do julgamento final em que a deputada foi condenada.

Por isso, independentemente dos crimes que ela teria cometido, Moraes não poderia “em hipótese alguma” participar de qualquer fase, acarretando, portanto, a nulidade daquela extradição, bem como a futura declaração de nulidade do processo em que ela foi condenada no Brasil.

Na opinião da especialista, brasileiros que se encontram acolhidos em países como a Espanha e EUA estão protegidos quanto aos pedidos de extradição feitos pelo STF em razão da farta fundamentação legal (em cada um desses países) e supralegal (tratados e convenções internacionais de direitos humanos).

SAÚDE DE JAIR BOLSONARO

Bolsonaro deve permanecer em domiciliar após piora na saúde

Bolsonaro chegando em casa após receber alta Foto: EFE/Andre Borges



Prazo de 90 dias estipulado por Moraes termina no próximo dia 25 de junho


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) deve renovar a temporada de Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar diante de um relatório médico que registrou a piora no quadro de saúde do ex-presidente, segundo integrantes da Suprema Corte.

Documento enviado nesta semana pela equipe médica ao tribunal informa que os episódios de soluço de Bolsonaro pioraram nos últimos dias. Foi necessário administrar doses elevadas de medicamentos, no “limite terapêutico de segurança”.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. No fim de março, ele obteve autorização para permanecer em prisão domiciliar humanitária monitorada pelo prazo de 90 dias devido à situação grave de saúde.

Na época, ele foi internado com uma broncopneumonia. Em maio, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia no ombro direito. Agora, a tendência é que Alexandre de Moraes, o relator do processo, renove o período do ex-presidente em casa.

Ainda segundo o relatório médico, o ex-presidente deve realizar uma série de exames, entre eles, uma endoscopia digestiva, para investigar a função do esfíncter esofágico inferior e analisar a presença de esofagite crônica.

O boletim também registra que Bolsonaro mantém queixas de cansaço e fadiga ao realizar esforços médios, além de oscilações no equilíbrio corporal. O prazo de 90 dias estipulado por Moraes termina em 25 de junho.

*AE

LULA COM MEDO DE ENCARAR DONALD TRUMP

Medo de Trump faz Lula recuar para evitar humilhação no G7

Presidente Donald Trump ao lado de Lula, na Malásia. (Foto: Arquivo/Ricardo Stuckert/PR).


Sob ameaça de tarifaço e forte desgaste internacional o Planalto adota tom de submissão e tenta blindar o petista de um debate direto com o presidente americano


O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) agem nos bastidores para readequar o tom dos discursos e das estratégias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho de 2026, em Évian, na França.

A principal preocupação da gestão petista é blindar o mandatário brasileiro de um eventual embate direto ou de constrangimentos públicos perante o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A mudança de postura ocorre após a Casa Branca oficializar a imposição de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros, estabelecendo sobretaxas que podem chegar a 37,5%, além de uma taxa padrão de 10%.

Inicialmente, o plano do governo brasileiro não previa a ida de Lula ao evento europeu, mas o Palácio do Planalto alterou a agenda oficial e confirmou a participação do petista com o objetivo central de tentar abrir um canal de diálogo e reverter o impacto econômico das medidas restritivas americanas.

Historicamente focado em discursos voltados à retórica da “soberania nacional” e críticas ao protecionismo de grandes potências, o governo federal agora recalcula os riscos de manter uma postura confrontante.

Auxiliares diretos admitem que uma abordagem agressiva por parte de Lula na França poderia resultar no efeito oposto, desencadeando sanções ainda mais severas por parte de Washington e prejudicando os setores exportadores do Brasil.

O temor do governo brasileiro reside na reconhecida imprevisibilidade do líder republicano. Integrantes da oposição no Congresso Nacional apontam que o Planalto tenta evitar que Lula seja alvo de críticas públicas diretas de Donald Trump em solo internacional, especialmente em temas sensíveis como a condução das liberdades institucionais, denúncias de perseguição a opositores políticos e o cenário de segurança jurídica no Brasil.

Até o momento, não há nenhuma reunião bilateral formalmente confirmada entre Lula e Trump na agenda oficial do G7.

O Palácio do Planalto condiciona a realização de um encontro de alto nível ao avanço prévio de negociações técnicas e videoconferências entre equipes ministeriais dos dois países, que tentam destravar as discussões sobre o comércio de biocombustíveis, aço e manufaturados.

A diplomacia brasileira tenta equilibrar a necessidade de respostas à opinião pública interna com a dependência econômica do mercado norte-americano.

Enquanto parlamentares da oposição ressaltam a fragilidade da posição do governo brasileiro perante a nova liderança da Casa Branca, os articuladores políticos do Planalto recomendam cautela máxima para que o evento na França não se transforme em um palanque de desgaste político para a gestão federal.

Pedro Taquari


AS FRAUDES COMEÇARAM COM O PT DA BAHIA

Trajetória de Vorcaro que o levou à prisão por fraude começou com figurões do PT da Bahia

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. (Foto: Divulgação).

Não começou em Brasília a trajetória de fraudes que garantiram a Daniel Vorcaro a glória, a fortuna e a desgraça, resultando na liquidação do seu Banco Master. Porém, a proposta da delação frustrada do ex-banqueiro sugere que a gênese do império financeiro tem endereço certo: os governos do PT na Bahia quando chefiados por Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e Rui Costa, ex-todo-poderoso ministro de Lula. A proposta de delação de Vorcaro prometia expor a relação com a dupla.

2007, a origem

O PT entregou a Vorcaro o CredCesta, programa que permitiu ao Master ingressar no fabuloso e rentável mundo de empréstimos consignados.

Favorecimento

No ápice dessa influência, decreto de 2022 de Rui Costa proibiu uso da portabilidade para quem tentava se livrar das taxas abusivas do Master.

Coisa de amigo

Fontes ligadas ao caso dizem que, na proposta de delação rejeitada pela PF, Vorcaro descrevia como o decreto fortaleceu o banco e o fez crescer.

Tempo ao tempo

Jaques Wagner e Rui Costa negam suspeitas e minimizam os laços com Vorcaro, mas a rejeição do acordo sugere que a PF já tem tudo apurado.

Cláudio Humberto

PORTO DE SUAPE

Suape inaugura terminal de R$ 2 bilhões e prevê 43 mil postos de trabalho

A cerimônia oficial de entrega do novo terminal contou com a presença de inúmeras autoridades públicas (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

O novo terminal contou com investimento de mais de R$ 2 milhões. Esse aporte é apontado como um dos maiores em infraestrutura logística no Nordeste


Com investimento superior a R$ 2 bilhões, o Complexo Industrial Portuário de Suape passou a contar, a partir desta sexta-feira (12), com o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina. A expectativa é que o empreendimento amplie em 55% a capacidade de movimentação de cargas do porto e gere impactos bilionários na economia pernambucana nos próximos anos.

Segundo estimativa da APM Terminals, subsidiária de terminais do grupo A.P. Moller Maers, o novo terminal deve gerar mais de 43 mil postos de trabalho ao longo das cadeias produtivas associadas ao comércio exterior. Incialmente, na fase de implantação, o obra já havia gerado mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.

Integrado a rotas internacionais que ligam o estado aos principais mercados globais, o empreendimento tem potencial para acrescentar até R$ 4,9 bilhões ao PIB. O novo terminal possui 495 mil m2 de área total e um cais de 430 metros de extensão. O local conta com capacidade estática de cerca de 12 mil TEUs e mais de 300 tomadas refeers.

“Um salto histórico para economia de Pernambuco, como também para todo nordeste brasileiro”, declarou o diretor-superintendente da APM Terminals Suape, Daniel Rose. O novo terminal possui 495 mil m2 de área total e um cais de 430 metros de extensão.

Presença política

A cerimônia oficial de entrega do novo terminal contou com a presença de inúmeras autoridades públicas, como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro Portos e Aeroportos, Tomé França, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra.

Geraldo Alckmin destacou a relevância do terminal para o estado. “Hoje, estamos fazendo história inaugurando um dos maiores terminais da América Latina. Os portos são as ferramentas mais importantes para o desenvolvimento”.

Na ocasião, Armando Monteiro Bisneto, diretor-presidente do Complexo de Suape, salientou que o local vive uma nova era. “Estamos vivendo um nova era, Suape está vivendo uma nova era inaugurando o segundo terminal e o primeiro [terminal] 100% eletrificado. Isso vai atrair muitos empreendimentos, não só para Suape, mas para Pernambuco todo”.

Elaine Guimarães


ENTREVISTA

"Tentativa de voltar ao passado", afirma Raquel Lyra sobre projeto político de João Campos

De acordo com Raquel Lyra, segurança pública em Pernambuco é a melhor desde 2004 (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Em entrevista à Veja, governadora adota cautela sobre pesquisas eleitorais, critica gestões passadas do PSB e afirmou que "ninguém é dono do povo"


A governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), afirmou que “ninguém é dono do povo”, em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira (12). Ao responder sobre uma possível mudança ideológica no Nordeste, a gestora declarou que o cenário na região vai além de partidos e que nenhuma população pertence a um grupo político.

"A questão é menos sobre partidos e mais sobre pessoas, como elas podem se unir para superar desafios que estão postos e fazer o estado crescer, o país crescer. Pernambuco não tem dono. O Nordeste não tem, nenhuma população tem”, garantiu Raquel. 

Ao falar sobre o desempenho nas pesquisas locais e a virada sobre o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), na última pesquisa Datafolha, a governadora adotou cautela, mas atribuiu os resultados positivos às ações de sua gestão.

“Pegamos um estado quebrado, sem dinheiro, que investia pouco. Arrumamos a casa. Destravamos obras paralisadas há doze, catorze anos. [O resultado] demonstra que nós estamos no caminho certo”, justificou a gestora, apontando ainda a melhora no ambiente de negócios e a atração de investimentos.

De acordo com ela, Pernambuco está “no melhor momento da segurança desde 2004”, com redução de 40% nos crimes contra o patrimônio nos cinco primeiros meses deste ano e o “maior investimento da história, R$ 2,3 bilhões”.

“Pegamos o mesmo efetivo das polícias que havia em 2013. Não se faz segurança pública empurrando viatura sem combustível, com arma velha, dividindo colete à prova de bala, com fungos nas costas”, afirmou. A gestora pontuou também que o governo tem investido na construção de vagas em presídios.

Questionada sobre as diferenças entre ela e João, apontado pela Veja como um “um dos políticos mais promissores para o futuro da esquerda”, Raquel associou o adversário a “uma tentativa de voltar ao passado” e criticou gestões anteriores do PSB em Pernambuco.

“Quando cheguei, tinha muita coisa que tinha sido prometida, colocado propaganda na TV, mas o dinheiro não existia. Destravamos muitas obras”, afirmou. “É preciso se importar com a população, não como um número de likes, mas com a história dela, em como você pode ajudá-la”.

Dois palanques

No início da semana, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), falou que a estratégia eleitoral do presidente Lula (PT), em Pernambuco, seria um palanque duplo com Raquel e João. No mesmo dia, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que o presidente terá palanque único, que seria com João.

“Acho que é um momento de menos sectarização e mais construção de pontes. O PT tem toda a autonomia para discutir os rumos após as convenções. E a gente vai continuar no trabalho, porque restabelecemos a confiança do governo federal em Pernambuco”, declarou.

Em sua avaliação, a gestão anterior brigou com três presidentes da República, de campos ideológicos diferentes (Dilma, Temer e Bolsonaro). “O resultado foi Pernambuco ficar sem investimento. Somos um estado pobre, é preciso um governo que dialogue. Fizemos isso desde o primeiro momento, e Lula abriu as portas do governo para colocar Pernambuco de volta no mapa dos investimentos nacionais”.

Ao analisar a relação com o Palácio do Planalto, Raquel declarou que a abertura de portas resultou em um trabalho de qualidade para o povo. “Isso tem acontecido porque tenho tido a solidariedade do presidente Lula e de parte do PT”, frisou.

PL e PSD

Questionada se acenará para Flávio Bolsonaro (PL), caso não tenha apoio de Lula, a gestora respondeu que tem uma aliança em favor de Pernambuco. “Tenho apoios do PSOL ao PL de pessoas que compreendem que não se trata de partido, mas de um projeto de transformação que está dando certo. Não é sobre a próxima eleição”, disse ela. “Sobre eleição, vamos nos posicionar no momento correto”.

Em relação a Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, a governadora afirmou respeitar a trajetória do ex-governador de Goiás e colega partidário.

“O PSD tem legitimidade para apresentar candidato, somos o maior partido do Brasil em prefeituras. Mas, quando me filiei, após dois anos de conversas com Kassab, sempre ficou muito clara a liberdade que eu teria para conduzir o partido em Pernambuco. Guardo isso para me posicionar sobre esse tema nos próximos tempos. Não haverá surpresas”, declarou.

Mareu Araújo