Obras na orla de Boa Viagem provocam transtornos para pedestres e ciclistas no Recife
Segundo relatos, pedestres precisam dividir, em alguns pontos da Orla de Boa Viagem, a ciclofaixa provisória com bicicletas e máquinas das obras. A reportagem também flagrou motociclistas desrespeitando a interdição e ultrapassando o limite estabelecido
A prática de atividades físicas em alguns trechos da orla da Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, vem sendo impactada pelas obras de requalificação. Em alguns pontos, a circulação se torna perigosa, principalmente quando pedestres precisam dividir espaço com ciclistas na ciclofaixa provisória.
Além de compartilhar a área delimitada por gelo-baianos com bicicletas e usuários de patinetes elétricos, os pedestres também precisam conviver com máquinas utilizadas nas intervenções.
"Faço atividade todos os dias aqui na orla e enfrento dificuldades por causa dessa obra, apesar de ser algo suportável. Há trechos em que a calçada já foi finalizada, mas em outros a intervenção ainda é maior e acaba ficando perigoso, porque precisamos dividir espaço com patinetes elétricos, bicicletas e até com as máquinas da obra", relatou o aposentado Adriano Mota, de 63 anos.
Além desses obstáculos, pedestres também denunciam a presença de motociclistas e até motoristas de carros passeio que desrespeitam a interdição e invadem a área isolada pelos gelo-baianos. Nesta segunda-feira (13), a reportagem do Diario de Pernambuco flagrou alguns desses casos.
"Ultrapassar o limite do gelo-baiano é uma questão de educação no trânsito. É lamentável ver motociclistas usando a ciclovia e colocando em risco quem circula por ela. Se houvesse uma fiscalização mais rigorosa, certamente esse tipo de situação seria evitado", afirmou o empresário Miguel Vallecilla, de 48 anos, que frequenta a orla três vezes por semana para praticar atividades físicas.
Apesar dos transtornos, Miguel acredita que os benefícios das obras compensarão os incômodos temporários. "Quem utiliza a orla com frequência sente o incômodo e se preocupa com a segurança. Mas vejo essa obra sob uma perspectiva de longo prazo. Ela vai trazer melhorias para todos. Mesmo causando transtornos agora, é preciso pensar nos benefícios que oferecerá no futuro", disse.
Ele conta ainda que precisou alterar o percurso da caminhada realizada nesta segunda-feira (13) por causa da dificuldade de circulação provocada pela presença de máquinas, pedestres e ciclistas.
Problemas para os ciclistas
Os ciclistas também afirmam que as obras têm dificultado seus deslocamentos, especialmente aqueles que utilizam a bicicleta como instrumento de trabalho.
"Essas obras trazem um grande problema porque começam e demoram muito para terminar. Em alguns momentos, precisamos sair da ciclofaixa e entrar na pista de carros e motos, já que dividimos o espaço com pedestres e até com as máquinas da obra. Se o serviço fosse agilizado, ajudaria a evitar acidentes", reclamou o entregador por aplicativo Weverton Ribeiro, de 24 anos.
Além disso, denúncias encaminhadas à reportagem apontam que, em alguns trechos onde as intervenções estão sendo concluídas, os gelo-baianos já foram retirados, o que gera confusão no trânsito e deixa ciclistas, motoristas e motociclistas sem uma orientação clara sobre qual faixa utilizar.
Cronograma das obras
De acordo com o cronograma da Prefeitura do Recife, as intervenções da segunda etapa da requalificação estão com cerca de três meses de atraso. O prazo inicial para conclusão era abril deste ano.
Essa fase contempla os trechos entre o Parque Dona Lindu e as proximidades da Pracinha de Boa Viagem, onde as obras ainda estão em execução, além do trecho entre o 2º e o 3º Jardim, que já foi concluído.
Já a terceira etapa, que abrange o trecho entre o 3º Jardim e a Pracinha de Boa Viagem, segue em andamento e tem previsão de conclusão no segundo semestre deste ano, segundo a gestão municipal.
Procuramos a Prefeitura do Recife para obter informações sobre o cronograma atualizado das obras, os transtornos causados pelas intervenções e a fiscalização de motoristas que desrespeitam o bloqueio dos gelo-baianos. Até a publicação desta reportagem, a gestão municipal não havia se pronunciado.
Bartô Leonel











