Buracos, desníveis e lixo deixam calçadas intransitáveis no Recife
A aposentada Eliane Oliveira diz que prefere, em alguns momentos, andar pela rua (Rafael Vieira/DP Foto)
Público idoso e pessoas com deficiência são os mais afetados pelos problemas nas calçadas do Recife. Manutenção é de responsabilidade dos proprietários e do poder municipal
Desviar de buracos e árvores e enfrentar desníveis e acúmulo de lixo. Esses são alguns dos obstáculos encarados por transeuntes que circulam pelas calçadas do Recife, algo que afeta, principalmente, idosos e pessoas com deficiência, causando até acidentes com esse público.
Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil) mostram que quatro em cada 10 idosos que vivem em áreas urbanas no país afirmam ter medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas residências.
O estudo foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentado na terça-feira (26).
“Hoje, coincidentemente, eu levei uma queda numa calçada aqui no centro do Recife. Tinha um desnível na calçada e eu caí. Graças a Deus, não me machuquei muito, mas, infelizmente, isso é um problema constante” destacou o servidor público, José Araújo Filho, de 70 anos, que tem mobilidade reduzida.
Dentro deste quantitativo apontado no estudo, as mulheres são as que apresentam o maior receio de quedas, chegando a 50,5% de reclamação. Já entre os homens, o percentual é de 31,9%.
“Tem muito buraco nas calçadas. Graças a Deus nunca me acidentei, mas tem buraco demais nas calçadas. Já levei até topada, mas, graças a Deus, nunca cheguei a cair. Tem momentos que é preciso ir pela rua por conta dos buracos”, destacou a aposentada Eliane Oliveira, de 67 anos.
Situação dos cadeirantes
Outro público extremamente impactado pela situação das calçadas são as pessoas com deficiência, pois boa parte das calçadas não tem rampas de acesso, sem contar os obstáculos encontrados pelo percurso, algo que faz os cadeirantes dividirem as ruas e avenidas com os carros.
“A dificuldade é grande para os cadeirantes, principalmente em alguns locais onde não existe a possibilidade de passarmos de uma calçada para outra. Em outros lugares, não tem a subida para os cadeirantes pegarem um ônibus. Nessa situação, precisamos pedir ajuda para subir e tudo”, iniciou o cadeirante Elias Guilherme de Lima, de 42 anos.
“Além disso, tem a questão das calçadas todas esburacadas, desniveladas, além daquelas que têm árvores pelo caminho. Tudo isso faz com que, em algumas localidades, eu tenha que me deslocar junto com os carros”, finalizou.
Bartô Leonel