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terça-feira, 26 de maio de 2026

NOTIFICAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

STF discute saída para responder notificação dos EUA a Moraes

Ministro Alexandre de Moraes Foto: Ton Molina/Fotoarena/Agência O Globo

Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça integram a discussão



A Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (MJ) discutem uma saída jurídica para a decisão da Justiça norte-americana de notificar o ministro Alexandre de Moraes sobre um processo aberto contra ele nos Estados Unidos.

O advogado Martin De Luca, que representa a plataforma de vídeos Rumble e a Trump Media & Technology Group, afirmou, nesta segunda-feira (25), que o ministro foi notificado via email. No entanto, o STF não confirma essa informação.

As duas empresas entraram com ação na Justiça do EUA pedindo a nulidade das ordens de restrição e bloqueio emitidas por Moraes. O argumento é que as determinações configuram censura e atentam contra o direito à liberdade de expressão.

Moraes não deve se manifestar diante da notificação porque, segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), o magistrado não responde pessoalmente por decisões judiciais proferidas no exercício regular da função jurisdicional.

Interlocutores do ministro explicaram que o sistema jurídico brasileiro protege a independência judicial e prevê responsabilidade pessoal do juiz apenas em hipóteses excepcionais – por exemplo, nos casos de fraude.

Ainda não está definido, porém, quem responderá à notificação. Isso poderia ser feito, em tese, pelo STF, pela AGU ou pelo Ministério da Justiça, porque seria o caso de cooperação internacional. Outra possibilidade seria acionar o Itamaraty para atuar no caso.

Em março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de cumprimento de carta rogatória da Justiça dos Estados Unidos para intimar Moraes. A Corte entendeu que a legislação não autorizava a medida, porque o ministro atuou no exercício da função.

Ainda assim, a pedido das plataformas, a Justiça da Flórida autorizou a notificação por email. Na visão de autoridades brasileiras, esse procedimento deveria ter sido realizado pela via diplomática.

*AE

GARANTISMO PENAL E OS ABSURDOS DO STF

Prisão e soltura de MCs e traficantes reacendem debate sobre seletividade da Justiça 

MC Poze do Rodo, que acumula passagens pela Justiça por suspeitas de ligação com o tráfico, tortura e movimentação de mais de um bilhão de reais em atividades ilegais, foi solto cerca de um mês após ser preso preventivamente. A cabeleireira Débora Santos ficou dois anos e seis meses em regime fechado por ter escrito “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, em frente ao Supremo. (Foto: Reprodução / YouTube / TV Globo; Arquivo pessoal)

A sequência recente de prisões e solturas envolvendo MCs investigados e suspeitos de ligação com o tráfico reacendeu o debate sobre a aplicação da lei no país. De um lado, decisões com penas elevadas e negativas de benefícios no caso dos presos do 8 de janeiro; de outro, solturas rápidas e flexibilizações — um contraste que tem alimentado questionamentos sobre proporcionalidade e coerência no sistema judicial.

Entre os episódios mais recentes estão as decisões favoráveis envolvendo MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Oruam e Marcinho VP.  

A lista também inclui casos emblemáticos como o de André do Rap; Marco Aurélio “Bolado”, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV); Tiago Vinicius Vieira, o “Dourado”, ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP); André Luiz de Almeida, conhecido como “Nestor do Tuiuti”; Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira, apelidado de “Salgueiro” ou “Problema”; Márcio Aurélio Martinez Martelo, o “Bolado da Fallet”; e Alex Gardenal. 

À Gazeta do Povo, o promotor de Justiça Filipe Regueira, do Ministério Público de Pernambuco (MP-PE), afirmou que há hoje uma aplicação “distorcida” do garantismo penal, que frequentemente flexibiliza medidas contra criminosos violentos enquanto outros réus acabam submetidos a decisões mais severas.  

Dois pesos e duas medidas  

O debate sobre a seletividade do “garantismo penal” ganhou força com as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Um dos casos mais citados é o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão após escrever, com batom, a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, em frente ao Supremo. A pena, baseada na soma de crimes como tentativa de golpe de Estado e associação criminosa armada, gerou divergência dentro da própria Corte. 

A frase escrita pela cabeleireira faz referência a uma declaração do então presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, após as eleições de 2022, em Nova York. Na ocasião, ao ser questionado por um brasileiro sobre a atuação política da Corte — especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro —, o ministro respondeu: “Perdeu, mané”. A reação foi registrada em vídeo. 

As críticas sobre o uso de “dois pesos e duas medidas” não se restringem aos casos políticos. Em julgados posteriormente revertidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusados permaneceram presos preventivamente por furtos de pequeno valor.  

Em um dos casos de maior repercussão, um homem foi preso em 2021, no Paraná, após furtar dois frascos de shampoo e quatro desodorantes avaliados em cerca de R$ 101. O processo se arrastou até fevereiro de 2025, quando a ministra Daniela Teixeira, do STJ, aplicou o princípio da insignificância e reconheceu a desproporcionalidade da medida. 

Por outro lado, diversos casos de grande repercussão provocaram críticas pela flexibilização de medidas judiciais impostas a investigados por crimes graves, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação com facções criminosas, além de benefícios concedidos a criminosos já condenados. 

Em praticamente todos os casos de traficantes beneficiados, as decisões favoráveis foram fundamentadas em argumentos processuais, como excesso de prazo, ausência de contemporaneidade da prisão preventiva, nulidades processuais ou aplicação de medidas cautelares alternativas.  

Outro ponto em comum é que parte dos beneficiados voltou a ser presa, morreu em confronto, descumpriu medidas cautelares ou passou à condição de foragida.  

MCs investigados e a sequência de prisões e solturas 

Em 14 de maio, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, foi solto por decisão da Justiça Federal após cerca de um mês preso preventivamente na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal (PF). Ele é investigado por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas, com movimentação estimada em R$ 1,6 bilhão.  

Também beneficiado pela decisão, MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, acumula passagens pela Justiça por suspeitas de ligação com o tráfico. Em 2025, foi preso pela Polícia Civil do Rio por suposta apologia ao crime e possível vínculo com o Comando Vermelho. Em 2019, já havia sido detido em um show em Sorriso (MT) pelos mesmos motivos. 

Outro caso que ganhou repercussão foi o de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, considerado foragido após a Justiça do Rio restabelecer sua prisão preventiva depois da revogação de liminar concedida pelo STJ. Relatórios apontaram 28 violações no uso da tornozeleira eletrônica em 43 dias. O rapper também virou alvo de nova fase da Operação Contenção, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho. O artista é filho de Marcinho VP, líder histórico da facção. 

Marcinho VP, condenado por tráfico, homicídios e formação de quadrilha, acumula benefícios judiciais ao longo de mais de duas décadas de prisão. Já deixou o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), foi transferido para unidades menos rígidas e obteve ampliações no direito de contato com familiares e advogados.  

Este mês, a Justiça Federal de Campo Grande (MS) autorizou a remição de 384 dias de pena pela produção de quatro livros escritos na prisão, com base em entendimento do STJ de que obras literárias podem gerar redução de pena. 

O caso André do Rap 

André Oliveira Macedo, o André do Rap, apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso em 2019 por suspeita de envolvimento no envio de cocaína para a Europa pelo Porto de Santos. Em 2020, ganhou notoriedade após ser solto por decisão do então ministro Marco Aurélio Mello, do STF, sob o entendimento de que a prisão preventiva não havia sido reavaliada no prazo previsto pelo pacote anticrime. 

Após deixar o presídio, fugiu e passou a ser considerado foragido internacional. Dois dias depois, o então presidente do STF, Luiz Fux, restabeleceu a prisão preventiva. O episódio levou o Supremo a consolidar entendimento de que a falta de revisão periódica da prisão preventiva não implica soltura automática. 

Em 2023, a 6ª Turma do STJ determinou a devolução de um helicóptero avaliado em R$ 7,2 milhões ligado ao traficante e anulou provas obtidas durante operação policial em Angra dos Reis. O relator, ministro Rogério Schietti Cruz, entendeu que houve extrapolação dos limites do mandado judicial. 

Decisões favoráveis a traficantes premiam foragidos e aumentam a sensação de impunidade 

Segundo Filipe Regueira, o conceito de garantismo penal teria sido “profundamente desvirtuado” no Brasil, transformando-se no que define como um “garantismo monocular”, voltado quase exclusivamente à proteção do acusado, em detrimento das vítimas e da própria efetividade do sistema penal.  

Regueira alertou que essa lógica tem levado tribunais a relativizar a gravidade concreta de crimes violentos, substituindo prisões preventivas por medidas cautelares consideradas ineficazes, como tornozeleiras eletrônicas e comparecimento periódico à Justiça.  

O promotor também criticou decisões que, segundo ele, acabam premiando foragidos e ampliando a sensação de impunidade.  

Na avaliação dele, a excessiva valorização de nulidades processuais e interpretações flexíveis da lei contribui para o que críticos classificam como “porta giratória” da Justiça criminal — marcada pela rápida sucessão entre prisão e soltura de investigados apontados como de alta periculosidade. 

Para o advogado constitucionalista André Marsiglia, a falta de uniformidade nas decisões contribui para a sensação de insegurança jurídica e alimenta a percepção de tratamentos desiguais dentro do sistema penal. 

“Existe uma jurisprudência que reiteradamente trata crimes ligados ao tráfico e à corrupção com maior flexibilidade, enquanto é extremamente rigorosa com delitos de impacto social menor. Isso reflete uma cultura jurídica progressista que influencia parte das decisões”, afirmou à Gazeta do Povo

Audiências de custódia, “saidinhas” e o debate sobre impunidade 

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as audiências de custódia têm resultado em um volume expressivo de solturas no país. Desde 2015, cerca de 1,7 milhão de audiências foram realizadas e cerca de 39% terminaram com concessão de liberdade provisória. Em 2025, esse percentual ultrapassou 55%, segundo o próprio CNJ. 

Embora o órgão sustente que a reincidência entre os beneficiados seja relativamente baixa, críticos afirmam que os números não refletem adequadamente crimes violentos cometidos por suspeitos liberados em audiência de custódia nem a sensação de insegurança provocada pela rápida soltura de reincidentes. 

As saídas temporárias também seguem sob contestação. Em São Paulo, aproximadamente 260 detentos não retornaram após a saída temporária de Natal de 2025, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária. 

Casos como o assassinato do sargento Roger Dias da Cunha, em Minas Gerais, cometido por um criminoso beneficiado pela saída temporária e que não havia retornado ao presídio, passaram a simbolizar as críticas ao modelo. 

Para defensores de maior rigor penal, episódios desse tipo reforçam a percepção de que mecanismos criados sob a lógica da ressocialização acabam ampliando a sensação de impunidade e fragilizando a segurança pública. 

Por Diógenes Freire Feitosa

TURISTA DESQUALIFICADA

Janja vai à Itália em 38ª viagem ao exterior no atual mandato de Lula

Janja da Silva Foto: EFE/ Sebastião Moreira



Primeira-dama participa da Semana da Nutrição 2026, em Roma

 

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, representará o governo brasileiro na Semana da Nutrição 2026, em Roma, na Itália. O evento começa nesta segunda-feira (25) e vai até a quinta (28). O contribuinte arcará com todos os custos da viagem, incluindo diárias de hotel e deslocamento. Janja completará 181 dias fora do país no atual mandato.

O decreto de designação foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (22) e publicado no Diário Oficial da União nesta segunda. O documento informa que ela viaja a convite do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

A Semana da Nutrição é promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura junto com a UN Nutrition. O encontro reúne especialistas internacionais para debater a segurança alimentar e estratégias globais de combate à fome.

Esta é a segunda vez que a primeira-dama representa o governo em agendas ligadas ao tema em Roma. Em outubro de 2025, Janja participou do Fórum Mundial da Alimentação. A viagem anterior também ocorreu em representação ao presidente Lula.

A atuação de Janja nessas agendas foi viabilizada pelo Decreto 12.604. O texto alterou a estrutura da Presidência da República e determinou que o Gabinete Pessoal do presidente também preste atendimento oficial à primeira-dama do Executivo federal.

JANJA VIAJOU MAIS QUE LULA AO EXTERIOR

Desde o início do atual mandato do petista, Janja realizou 37 viagens ao exterior, passando por 12 países e 32 cidades, totalizando 177 dias. Seu marido, chefe do Executivo nacional, saiu do país em viagens oficiais 44 vezes, totalizando 154 dias.

Kleber Pizão 

TUDO PARA OS PARCEIROS NADA PARA O BRASIL

Lula determina envio de ajuda humanitária à Bolívia em crise

Rodrigo Paz e Lula Foto: Ricardo Stuckert / PR



Governo enviará alimentos, remédios e apoio logístico



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (25) um telefonema do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. Os dois trataram da crise econômica e social vivenciada pela Bolívia, e Lula determinou o envio de ajuda humanitária para o país vizinho

— O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito. Nesse contexto, defendeu que governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social — diz a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social do governo.

O governo brasileiro se comprometeu a enviar alimentos e medicamentos ao país vizinho. A gestão de Paz também solicitou apoio logístico por meio de aviões da Força Aérea Brasileira para ajudar na distribuição da ajuda em áreas bloqueadas por manifestações.

Paz, que assumiu o poder em novembro de 2025, sofre com uma onda de protestos que exigem uma saída para a pior crise econômica do país andino em quarenta anos. Bloqueios de estradas cercaram a cidade de La Paz, maior cidade e sede do Executivo boliviano. Algumas regiões do país vizinho estão desabastecidas.

Nesta segunda (25), Paz anunciou que reduzirá pela metade o salário dele e dos ministros que compõem o gabinete do governo boliviano, em uma tentativa de apaziguar os fortes protestos que exigem sua renúncia.

O governo boliviano pediu ao Brasil, por empréstimo, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para auxiliar na ajuda humanitária na Bolívia. O pedido está sendo analisado pelo Itamaraty.

*Com informações AE

ESCALA 6X1

Hugo Motta anuncia transição de um ano para a jornada de 40h

Motta fala sobre fim da escala 6×1 Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias




Duas horas serão reduzidas da jornada semanal assim que a PEC for aprovada e outras duas após 12 meses



Nesta segunda-feira (25), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 terá um período de transição de um ano para reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva em Brasília. Segundo Motta, a redução será aplicada em duas etapas após a promulgação da PEC.

– Após 60 dias da promulgação da PEC, colocaremos no texto a redução de duas horas imediatamente. Após 12 meses, mais duas horas. A transição se dará em um ano, não mais do que isso. Isso dá um tempo para que os setores possam se organizar – declarou.

O presidente da Câmara afirmou que três pontos são considerados essenciais no texto: o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a proibição de redução salarial.

– Partimos do princípio de que esses três pontos são inegociáveis para a Câmara dos Deputados e para o governo. Temos ampla convergência nessas três situações que trazem para o trabalhador uma nova realidade.

Segundo Motta, a proposta também prevê ajustes para servidores públicos, prestadores de serviço e microempreendedores individuais (MEIs). Ele afirmou que o objetivo é ampliar a possibilidade de contratação por parte dos pequenos empreendedores.

– Hoje, esses empreendedores só podem empregar uma pessoa com carteira assinada. Queremos permitir que contratem mais pessoas, já que estamos reduzindo a jornada de trabalho – ponderou.

O deputado ainda relatou que conversou nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o reajuste do teto dos microempreendedores individuais.

– O presidente Lula está sensível a esse apelo feito por nós; temos uma comissão tratando do assunto – relatou.

Também participaram da coletiva os ministros José Guimarães e Luiz Marinho. Guimarães afirmou que a PEC representa uma conquista para os trabalhadores.

– Não é fácil concluir uma negociação quando envolve pontos polêmicos e chegarmos a um entendimento. Ninguém deixou de ser ouvido, do empresário ao trabalhador – declarou.

Já Marinho disse que a defesa da jornada de 40 horas existe desde a Assembleia Constituinte de 1988.

– Esse foi o grito da classe trabalhadora, em especial da juventude e das mulheres – disse.

O relator da PEC, deputado Leo Prates (PDT-BA), afirmou que o texto busca considerar as diferenças entre os setores da economia.

– Para fazer um dispositivo legal, temos que enxergar as diferenças e peculiaridades. A Constituição deve dar o teto e o piso. A partir daí, são os projetos de lei, e vamos remeter para as convenções coletivas.

Leo Prates também classificou a mudança como histórica.

– Este é um momento histórico. O presidente Hugo Motta faz a maior reforma que alguém pode fazer, que é a reforma na qualidade de vida. É sobre as pessoas que estamos falando, sobre o futuro.

Pleno.News 

VOTAÇÃO ADIADA

Deputado pede vista e votação da PEC 6×1 é adiada


O deputado Mauricio Marcon (PL-RS) pediu vista nesta segunda-feira (25) e adiou a votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do fim da escala de trabalho 6×1 na comissão especial. Com o tempo para a análise, a votação do projeto será retomada na próxima sessão.

De acordo com o relator Leo Prates (Republicanos-BA) e com o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), a tendência é que a votação seja retomada quarta-feira (27) e quinta-feira chegue ao plenário da Casa. As informações são da CNN.

Natural em processos de tramitação no Congresso Nacional, o pedido de vista consiste no adiamento da discussão ou votação do projeto para a sessão seguinte. O intervalo de tempo deve servir para a base governista convencer os parlamentares que faltam para consolidar a aprovação da PEC na comissão e no plenário da Casa.

O desejo do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), é que o texto final de Prates seja votado em plenário ainda nesta semana. Com o aval da Câmara, o texto segue para o Senado Federal.

Para voltar à discussão na comissão especial, é preciso esperar suas sessões no plenário da Câmara. Motta sinalizou que deve marcar uma sessão para esta terça e uma outra para a manhã de quarta.

Com isso, o texto poderia ser votado na noite da própria quarta no plenário ou na quinta pela manhã.

Para voltar à discussão na comissão especial, é preciso esperar suas sessões no plenário da Câmara. Motta sinalizou que deve marcar uma sessão para esta terça e uma outra para a manhã de quarta.

Com isso, o texto poderia ser votado na noite da própria quarta no plenário ou na quinta pela manhã.

Em reunião nesta manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi acordada uma redução de duas horas na carga horária semanal após 60 dias da promulgação da nova regra. Depois, após 12 meses, deverá ser implementada a jornada máxima de 40 horas.

A Constituição prevê atualmente uma jornada semanal máxima de 44 horas. O relator sustenta, no entanto, que após os 60 dias da promulgação, ao garantir as duas folgas, o trabalhador já terá direito a uma escala 5×2.

“A jornada é o total que você pode trabalhar em uma semana. Escala é como você arruma esse tempo. A [redução da] escala será feita em 60 dias [após a promulgação], que foi o mote que mobilizou o Brasil”, afirmou Prates a jornalistas.

Com isso, no período em que a escala esteja em 42 horas, os trabalhadores terão uma jornada diária de 8 horas e 24 minutos.

O texto também fala da intenção de incluir no parecer uma sugestão, que já tinha sido levantada na semana passada, para trazer mais funcionários para a CLT. Para isso, uma das ferramentas seria flexibilizar a alocação da jornada de trabalho para quem ganha mais de R$ 23 mil e esteja registrado.

A ideia seria ter um teto de 160 horas mensais que poderiam ser alocadas de acordo com a negociação entre o empregador e o funcionário. Segundo Prates, os trabalhadores que recebem acima desse valor e são contratados como PJ (pessoa jurídica) já não são submetidos a escalas de trabalho definidas.

Para o relator, isso tornaria mais atraente a conversão de trabalhadores em regime PJ para o CLT por justamente permitir às empresas que tenham uma flexibilidade parecida entre os trabalhadores que são registrado e os que são informais.

Segundo Prates, o cronograma ideal estima cerca de 30 dias para o Senado analisar o texto após a aprovação na Câmara.

O pedido de vista, no entanto, foi visto como “esperado” pelo relator. Prates disse que isso já era calculado.

“É um direito legítimo o período de vista. Eu respeito. Fizemos o máximo, tem sugestões que vieram de críticas que vieram da oposição. Estou tranquilo. Meu norte seria um texto médio, a gente tentou. Estamos há mais de uma ano nesse trabalho. O parlamento representa visões diferentes, então é natural não só o pedido de vista como a posição contrária”, disse.

MEIs

Na reunião com Lula, Hugo Motta afirmou ter tratado sobre o caso dos MEIs (microempreendedores individuais). Para mitigar impactos no mercado de trabalho, medidas específicas serão tratados via projeto de lei, como a atualização do limite de faturamento para se enquadrar na categoria e a possibilidade de contratação de mais de uma pessoa.

Regras para servidores públicos também deverão ser tratadas por meio de projeto de lei. Em acordo com o governo, os casos mais específicos serão tratados por meio do projeto enviado pelo Executivo. Essa matéria deverá trazer as nuances infraconstitucionais e as previsões direcionadas a setores com jornadas diferenciadas.

Por Magno Martins

ELEIÇÕES 2026

Anderson Ferreira recua do Senado e deve disputar a Câmara Federal

Anderson garantiu que aceita o desafio (Reprodução)

Segundo blog, decisão teria sido comunicada a Valdemar Costa Neto; mudança mexe com os planos do irmão André Ferreira, que deve migrar para a Alepe


O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, não será candidato ao Senado Federal. A informação foi dada pelo Blog Dellas. A decisão já teria sido comunicada ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, conforme a reportagem.

Ainda segundo o site, o dirigente estadual deve sair candidato a deputado federal no lugar do irmão André Ferreira (PL), que é parlamentar na Câmara Federal. Já André deve ser candidato para a Assembleia Legislativa.

De acordo com o blog, a possibilidade de Anderson preferir concorrer à Câmara Federal já era ventilada mesmo após o incentivo do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a publicação, o recuo teria sido comunicado à direção nacional do PL antes mesmo dos fatos recentes que expuseram conversas do presidenciável com o empresário Daniel Vorcaro.

A apuração do blog aponta que Anderson, supostamente, estaria receoso de que sua desistência fosse interpretada como um “abandono do barco” após Flávio cair nas pesquisas por causa de seu envolvimento com Vorcaro. Por conta disso, conforme a matéria, Anderson teria decidido conversar com políticos do PL de Pernambuco antes de tornar pública sua decisão.

A reportagem afirma ainda que Anderson esperava integrar a chapa majoritária da governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), “mas perdeu as esperanças depois que ela abriu espaço para o deputado federal Túlio Gadelha, consolidando um vínculo com o presidente Lula”.

Entramos em contato com as assessorias de Anderson e André Ferreira e do PL Pernambuco, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

DP


MEIO AMBIENTE

Estudo mostra cenário crítico no Rio Beberibe antes de urbanização de R$ 353 milhões em Peixinhos

Comunidades sofrem com falta da dragagem do Rio Beberibe (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Estudo ambiental anexado pela CPRH aponta contaminação da água, pressão sobre manguezais, presença de metais nos sedimentos e impactos sociais em uma das regiões mais vulneráveis da divisa entre Olinda e Recife


A urbanização da comunidade de Peixinhos e a dragagem do Rio Beberibe, previstas no Programa Periferia Viva, devem provocar amplas mudanças em uma das áreas mais degradadas e vulneráveis da Região Metropolitana do Recife. O projeto prevê intervenções em cerca de 5,5 quilômetros do rio, remoção de aproximadamente 226 mil metros cúbicos de sedimentos acumulados no leito, implantação de parques lineares, saneamento básico, ciclovias, pavimentação, novas moradias e reassentamento de famílias instaladas em áreas sujeitas a alagamentos. Todas essas ações, apesar de positivas, vão requerer contrapartidas como, por exemplo, o replantio de vegetação.

O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), anexado ao processo de licenciamento ambiental da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), mostra que o empreendimento será executado em uma região já marcada por um cenário de degradação ambiental, contaminação hídrica, supressão da vegetação nativa e pressão urbana sobre áreas protegidas.

O estudo aponta que o Rio Beberibe sofre atualmente com assoreamento, lançamento de esgoto doméstico, descarte irregular de resíduos sólidos e ocupações irregulares nas margens. O conjunto desses fatores reduziu a capacidade natural de escoamento do rio e ampliou os episódios de alagamentos que atingem as comunidades ribeirinhas.

Segundo o documento, além da limpeza do rio, a proposta visa integrar recuperação ambiental e reorganização territorial em uma área considerada de alta vulnerabilidade socioambiental. O empreendimento prevê obras de abastecimento de água, implantação de 21 quilômetros de rede de esgotamento sanitário, pavimentação de vias, microdrenagem, iluminação pública e recuperação de áreas degradadas nas margens do Beberibe.

O investimento total estimado é de R$ 353 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 160 milhões serão financiados pelo governo federal, por meio do Novo PAC - Periferia Viva. O restante ficará sob responsabilidade do governo de Pernambuco.

Água contaminada 

O diagnóstico ambiental descrito no RIMA aponta que a qualidade da água na área do projeto apresenta sinais de contaminação por esgoto doméstico. As análises realizadas no Rio Beberibe e nos canais urbanos do Arruda e Lava Tripas identificaram excesso de nutrientes, coliformes termotolerantes e metais dissolvidos acima dos limites recomendados em diversos pontos monitorados.

Entre os parâmetros considerados críticos estão fósforo total, alumínio dissolvido e ferro dissolvido. O estudo alerta que esse cenário favorece processos de eutrofização, fenômeno provocado pelo excesso de matéria orgânica e nutrientes na água, que reduz a oxigenação e compromete o equilíbrio ecológico dos rios urbanos.

O documento afirma que os cursos d’água da região “estão bastante alterados” pela urbanização intensa e pelas descargas de efluentes domésticos. Além do Beberibe, os canais urbanos que cortam a área também recebem ligações clandestinas de esgoto e águas residuais sem tratamento adequado.

A situação também afeta os aquíferos subterrâneos utilizados pela população local. Em um dos pontos analisados, foram encontrados indícios de contaminação por esgoto, com presença de Escherichia coli, coliformes termotolerantes, manganês e nitrito acima dos limites permitidos pela legislação ambiental.

O estudo destaca que a pressão sobre os aquíferos da região é ampliada pelo uso frequente de poços artesianos em áreas onde o abastecimento público é insuficiente. A combinação entre urbanização desordenada e saneamento precário aumenta a vulnerabilidade do subsolo à infiltração de contaminantes.

Dragagem deve remover sedimentos com metais pesados

Um dos principais eixos do projeto é a dragagem e renaturalização do Rio Beberibe. O relatório informa que serão utilizadas diferentes metodologias para retirada dos sedimentos acumulados no fundo do rio, incluindo dragagem mecânica e dragagem por sucção e recalque.

As análises laboratoriais realizadas com sedimentos coletados entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 identificaram altas concentrações de metais como cádmio, cobre e zinco em áreas mais urbanizadas da bacia. Apesar de o estudo afirmar que não foram encontrados compostos orgânicos tóxicos relevantes, os resultados indicam influência da ocupação urbana sobre o leito do rio.

O material retirado passará por processos temporários de secagem e sedimentação antes da destinação final. O RIMA alerta que a movimentação desses sedimentos pode alterar temporariamente a qualidade da água e provocar impactos sobre organismos aquáticos que vivem associados ao fundo do rio.

Manguezais degradados e perda de vegetação nativa

A situação ambiental das margens do Beberibe também aparece como um dos principais pontos de preocupação do estudo. O levantamento florístico aponta que a maior parte da vegetação nativa remanescente da região está degradada ou fragmentada pela urbanização.

Os manguezais existentes ao longo do rio aparecem impactados por aterros irregulares, acúmulo de lixo e lançamento de esgoto sem tratamento. O documento ressalta que esses ecossistemas ainda desempenham papel importante na proteção das margens, na filtragem natural da água e como abrigo para diversas espécies da fauna aquática e terrestre.

Para implantação das obras, será necessária a supressão de aproximadamente 10,345 hectares de vegetação arbórea. Como medida compensatória, o projeto prevê recuperação ambiental e reposição florestal em áreas degradadas.

O estudo também chama atenção para a proliferação de plantas aquáticas invasoras, como a baronesa, diretamente associada ao excesso de nutrientes despejados no rio. Em alguns trechos da Área Diretamente Afetada (ADA), a vegetação invasora ocupa extensas áreas da superfície do Beberibe.

Área abriga espécies endêmicas e corredor ecológico

Mesmo com a pressão urbana, a área do projeto ainda mantém importância ambiental estratégica. O RIMA aponta que toda a Área Diretamente Afetada está inserida na Área Prioritária para Conservação da Biodiversidade Sapucaí, classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como de prioridade “extremamente alta” para conservação ambiental.

No raio de influência do empreendimento, o estudo identificou 28 unidades de conservação, incluindo áreas de proteção ambiental, parques estaduais, refúgios de vida silvestre e áreas de interesse ecológico

As Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo do Beberibe somam 25,47 hectares. No entanto, segundo o levantamento, a maior parte dessas áreas já está ocupada ou degradada pela urbanização. Apenas cerca de um terço ainda conserva vegetação nativa com função ecológica relevante.

O levantamento da fauna registrou espécies migratórias, aves endêmicas, répteis, anfíbios e mamíferos associados aos ecossistemas costeiros e estuarinos. Entre os organismos aquáticos, predominam espécies tolerantes à poluição e ao excesso de matéria orgânica, consideradas típicas de ambientes mais urbanizados.

O estudo ressalta que, apesar da degradação, o rio ainda funciona como área de alimentação, crescimento e recrutamento para peixes e outras espécies associadas ao ambiente estuarino.

Impactos urbanos

As intervenções previstas também irão impactar a dinâmica social e urbana da região, já que o projeto prevê a construção de 1.164 unidades habitacionais para reassentar famílias que vivem em áreas de risco nas margens do rio. Outras 600 famílias devem receber melhorias habitacionais sem necessidade de remoção.

O estudo aponta que a fase de obras deve aumentar o fluxo de veículos pesados, ruídos, poeira e alterações na mobilidade urbana em bairros da divisa entre Olinda e Recife. A Avenida Presidente Kennedy aparece entre os principais corredores afetados pelo transporte de materiais e equipamentos.

As medições ambientais realizadas na comunidade de Peixinhos já identificaram níveis de ruído acima dos limites recomendados para áreas residenciais em praticamente todos os pontos monitorados, tanto durante o dia quanto à noite.

Como estratégia para evitar novas ocupações irregulares nas margens do Beberibe, o projeto prevê a implantação de uma Via Beira Rio com ciclovia, áreas verdes e faixa de proteção ambiental ao longo do curso d’água.

O licenciamento ambiental do empreendimento ainda está em fase de análise pela CPRH e deverá passar por audiências públicas para apresentação dos impactos ambientais e das medidas compensatórias à população afetada.

Adelmo Lucena

TRANSNORDESTINA

Governo e empresários assinam manifesto pela conclusão do trecho Salgueiro-Suape

FIEPE e Governo de Pernambuco assinam manifesto pela conclusão do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina (Foto: Divulgação)


Setor empresarial debateu em evento o papel estratégico da Transnordestina e de Suape na redução de custos logísticos e atração de novos investimentos para Pernambuco


O Recife sediou mais uma edição do Fórum Permanente de Infraestrutura de Pernambuco, com foco nos impactos do Complexo Industrial Portuário de Suape e da Ferrovia Transnordestina para o desenvolvimento econômico do estado, reunindo empresários, representantes do setor produtivo e autoridades públicas, realizado nesta segunda-feira (25).

O principal momento do evento foi a assinatura de um manifesto em defesa da retomada e conclusão da Ferrovia Transnordestina no trecho entre Salgueiro e Suape. O documento foi assinado pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), pela vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, e pelo presidente do Complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto.

Segundo o setor empresarial, a conclusão da ferrovia é considerada estratégica para ampliar a competitividade da indústria pernambucana, reduzir custos logísticos, fortalecer o escoamento da produção e atrair novos investimentos para o estado. O manifesto será encaminhado aos órgãos responsáveis pelo projeto como forma de reforçar a articulação política e institucional pela retomada das obras.

A programação também discutiu novas oportunidades econômicas ligadas ao porto de Suape, incluindo projetos voltados à transição energética, combustíveis sustentáveis e expansão das operações logísticas. A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar, destacou o potencial de Pernambuco para se consolidar como polo de combustíveis sustentáveis e ampliar o desenvolvimento econômico no interior do estado.

A vice-governadora Priscila Krause ressaltou a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada para viabilizar projetos estruturadores. “Estamos unidos em defesa de projetos fundamentais para Pernambuco, como a reinclusão do trecho Salgueiro-Suape na Transnordestina”, afirmou.

De acordo com estudos apresentados durante o encontro, a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina poderá gerar novos investimentos, ampliar a geração de empregos e fortalecer Suape como um dos principais corredores logísticos do país.

O presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, também destacou os avanços recentes do complexo portuário e informou que o porto deve iniciar ainda este ano novas operações de exportação de frutas, carnes e ovos para mercados internacionais, incluindo países africanos.

DP

ELEIÇÕES 2026

Arcebispo de Olinda e Recife faz alerta contra propaganda política em paróquias

Dom Paulo Jackson celebra missa de Pentecostes, no Geraldão (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Orientação de dom Paulo Jackson foi feita durante a celebração de Pentecostes no Recife


O arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, declarou que “os padres não podem ignorar as coisas sagradas para apoiar candidatos A ou B”. A orientação aos párocos aconteceu no domingo (24), minutos antes da celebração de Pentecostes no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, o Geraldão, na Zona Sul do Recife.

“Claro que o padre, pessoalmente, tem as suas escolhas, mas ele não pode utilizar-se do ambiente religioso para apoio explícito a candidatos. É isso que eu posso orientar", afirmou dom Paulo, em conversa com a Folha de Pernambuco.

A celebração reuniu fiéis de diversas paróquias e integra a programação comemorativa pelos 350 anos de evangelização e missão da Igreja Católica na região. De acordo com a organização, caravanas das 150 paróquias que fazem parte da Arquidiocese de Olinda e Recife, abrangendo 19 cidades da Região Metropolitana e da Zona da Mata, estiveram presentes no evento.

Já durante a homilia do domingo, dom Paulo Jackson anunciou que nesta segunda (25), o Papa Leão XIV lança sua primeira carta encíclica, que leva o nome de Humanidade Magnífica e fala sobre a inteligência artificial e o uso da internet.

“A internet, ao mesmo tempo que hoje é algo que nós não podemos prescindir, temos que usar, ela tem muitas ambiguidades”, alertou o arcebispo. “Recentemente, gurus da internet que querem saber mais do que o papa, espalhando uma história de que os leigos não podem abrir os braços na hora da reza do Pai Nosso. Que invenção doida é essa, minha gente?”.

DP